Sobre a Vida


“A vida é muito importante para ser levada a sério.” (Oscar Wilde)

Muitas e muitas vezes fui tomado pela introspecção e ficava a cogitar sobre o sentido de se viver. Quando adolescente esse tipo de pensamento me causava grande revolta devido às circunstâncias ruins em que vivia. O sentido da vida para mim era casar, ter filhos, ter um bom lar, uma boa esposa, um bom emprego, etc.Normal! Pensamento próprio de um pobre cristão-ocidental. Pensamento fabricado pelos pais, pela burguesia e introjetado na mente da sociedade. De frustração a frustração fui levando a vida sem viver esse “ideal” de vida cristã-ocidental. E a pergunta continuava no fundo do coração: Qual é o sentido da vida?

Até hoje não descobri o real sentido da Vida, mas tenho aprendido que viver já é um sentido que me trás respostas. Evaporou-se as dúvidas que tinha e a existência em si já me da um sentido que preciso para sobreviver. Aliás, sobrevida é a melhor palavra para expressar minha vida. Vou vivendo e sobrevivendo graças a Deus! Hoje já não deixo minha mente ser massacrada pelo peso do mundo e da sociedade que exclui aqueles que escolhem um rumo diferente para o seu caminho. Para o mundo é preciso estudar para “ser alguém na vida”. Grande piada! Sempre fui alguém na vida desde que nasci e mesmo depois de estudar! Todos são “alguém na vida”! O João, a Maria, o pedreiro, o sapateiro, o engraxate, o da roça, o da cidade, o rico, o pobre… a pergunta mais ridícula que se faz a uma criança é: vai ser o que quando crescer? Como se a profissão fosse o sinal de seu sucesso final, de sua chegada ao pódio da vida, de sua “realização”. Ser apenas humano quando crescer já seria o suficiente para cada um de nós. Quando se é humano e vive sob um olhar de humanidade, começa a se enxergar que as diferenças são pequenos detalhes que não tem valor algum diante da Vida. O rico e o pobre, o patrão e o empregado, o da roça e o da cidade, o negro e o branco, o que se diz “civilizado” e o índio, o francês e o africano, o americano e o iraquiano, no olhar humano qual a diferença entre eles? A diferença só existe ante o olhar de quem quer enxerga-lá e se beneficiar com ela. Todos têm coração, todos choram, riem, sofrem, suportam, tem necessidades, carências… no fim, dá-se o mesmo a um e a outro. Abençoada em algumas poucas vezes seja a doença e a morte que trata de nivelar todos e mostra na carne aos arrogantes, presunçosos que ninguém é melhor que ninguém, que não existe raça superior, que ter mais dinheiro não é sinal de ter mais humanidade.

O sentido da vida pode ser viver sem se preocupar com “o que vou ser” tendo em mente que já Sou. O sentido da vida pode ser viver sem passado e nem futuro, sem as preocupações do amanhã que nem existe. O sentido da vida pode ser ter uma mente livre das pressões externas quanto ao “ideal de vida” que forjaram pra mim. O sentido da vida pode ser o amor pela vida, pelo ser humano enquanto humano em exercício de sua humanidade. O sentido da vida pode ser não deixar de experimentar as coisas boas da terra com equilíbrio, moderação, espírito de brandura, fazendo tudo com a consciência limpa e sem carregar qualquer rusga de culpa. O Problema são os excessos! O sentido da vida pode ser reconhecer que o maior pecado é a consciência de pecado naquilo que não é. Acho que estou aprendendo a viver! O sentido da vida pode ser viver ricamente sem necessariamente ser rico. O dinheiro é apenas uma consequência! Quem é rico por dentro se torna o mesmo por fora ainda que não tenha milhões no banco. Rico é quem não fica contando dinheiro! Que dorme tranquilo, que anda livre em qualquer lugar e em qualquer área! O sentido da vida pode ser viver a Vida (não é novela mais realidade) com abundância, com entusiasmo, com gratidão espontânea, com amor pela natureza, pelos bichinhos… o resto é consequência! A profissão é consequência e a ausência dela não é sinal de nada. A família é consequência, o lar, a companheira, o sucesso (não o “sucesso” como a sociedade imagina). A experiência (não a minha) mostra que os mais velhos se sentem enfadonhos e ainda estão a perguntar sobre o sentido da vida mesmo depois de conquistarem tudo o que queriam. Por quê? Conseguiram tudo, conquistaram, foram “alguém na vida” e ainda estão em busca de um sentido? Não é a toa que os idosos ficam mais amáveis, tem mais amor pelas plantas, pelos animais, talvez porque descobriram tarde que o sentido da vida é viver. Bom, isso é a minha opinião! Posso estar errado e amanhã mesmo posso mudar meus pensamentos. Aprendi a ser “uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” como diria Raul Seixas e como Cazuza peço piedade ao Senhor para aqueles que “não mudam quando é lua cheia”. Quero viver sabendo da morte como uma passagem para uma ainda mais fantástica Vida! Quero viver abundantemente na fé de que a Vida em si já é um milagre! Quero viver sem objetivos, sem mirabolâncias, sem metas, ainda que a única meta seja caminhar, viver, experimentar a verdade! Quero viver e estar pronto para morrer! Se a vida tem um sentido e um objetivo, nesse momento da minha vida esses são os meus!

Anderson Luiz

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