Arma de fogo: a força dos fracos


“A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora.” (Benedetto Croce)

Hoje vendo uma reportagem sobre um tiroteio em uma festa na cidade onde moro, fiquei indignado. Essa festa tradicional na cidade, festa essa que atraia pessoas de todos os cantos da cidade para apenas se divertirem, namorar, enfim, celebrar a vida, terá seu fim por causa dos vândalos e bandidos de merda que com suas armas em punho se acham deuses da morte no direito de tirarem a vida de quem os atravessar o caminho. Esses imbecis e estúpidos animais estão acabando com a própria diversão, mostrando assim que nasceram para o enclausuramento. Já não basta o sofrimento diário do trabalhador assalariado, explorado e injustiçado e que no seu final de semana quer sair e buscar um pouco de diversão para fugir da dor de saber de sua condição social, agora se acabam as diversões por causa de meia dúzia de vagabundos.

Na pós-modernidade líquida que vivemos o macho é visto como aquele que tem uma arma de fogo na cintura e é capaz de usa-lá em qualquer momento. Se remontarmos um pouco ao passado brasileiro veremos que isso não é tão pós-moderno assim, diga-se de passagem, os cangaceiros, coronéis e capangas dos sertões nordestinos que faziam a lei na bala. Esses atuais cangaceiros de merda (que mais parecem cagaceiros) são tão medrosos e fracos que não são capazes de enfrentarem uma boa luta na base da “famosa” porrada onde o “melhor” vencia. Não que eu apóie uma “porradaria”, mas ela ainda demonstrava o instinto do macho o que é diferente do que acontece entre esses “moleques de bosta” que cagando de medo ganham força não na coragem de homem, mas na covardia da arma de fogo. Desfilam como se fossem machos (e são apenas moleques de merda) com seus “ferros na cintura” (deviam enfiá-lo em outro lugar), achando-se donos do pedaço, invencíveis, indestrutíveis, mal sabendo que são tão fracos e cagões sem suas armas. Fracos, mil vezes fracos são esses que se acham fortes e nunca saberão que a força de um homem provem de dentro e não de um objeto de ferro.

O pior é que a força desses bandidos de merda além de vir de suas armas de fogo e não de coragem de macho, é também adquirida na suposta “fama” que eles adquirem na boca dos ignorantes. Moro em um bairro onde vejo pessoas que depositam suas confianças nesses bandidos e aumentam sua “fama” divulgando suas peripécias. A melhor forma de matar um mito é ignorando-o, mas a partir do momento em que se alimenta o mito do “bandido valente” sua “força” acaba por crescer. Conheço alguns moleques que se tornaram bandidos. Passo por eles às vezes como se não os conhecesse e não tenho interesse nenhum de ser amigo de bandidos. Meu único interesse é que eles sejam enclausurados e na clausura possam sentir na pele a dor da perda de sua humanidade transformada por eles mesmos em animalidade e se arrependam. Não tenho medo de bandidos e nunca tive. Meu “santo” sempre foi forte! A coragem que ele me inspira é a força de quem é fraquinho como eu diante de Deus, mas só diante de Deus. A arma de fogo, suposta força dos fracotes de merda, ainda que destrua um corpo não destrói a força interior de quem aprendeu a ser macho de verdade na batalha da vida.

Anderson Luiz

Um comentário em “Arma de fogo: a força dos fracos

  1. A modernidade configurou um novo tipo de estranho, segundo Zygmunt Bauman: ” O estranho despedaça a rocha sobre a qual repousa a segurança da vida diária”. Esses estranhos reproduzem a violência, na qual destrói o convívio pacífico de uma sociedade. Parabéns pelo ótimo texto.

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