Sobre a morte e a doença


“O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo.” (Leon Tolstoi)

Hoje, depois de mais uma notícia sobre o caso do envolvimento do jogador do Flamengo Bruno na morte da modelo Eliza Samudio, fiquei a refletir sobre o que a mãe da modelo disse diante das câmeras de TV: “mesmo ela sendo o que era não podia morrer desse jeito”. A modelo era atriz de filme pornô e alguns dizem que fazia programas com gente da “alta”, o que pode ter sido o motivo da declaração de sua mãe a imprensa usando aquelas palavras. Li um Blog sobre o assunto que tem repercutido nos noticiários e havia declarações altamente preconceituosas em relação à pessoa da modelo do tipo: “quem procura, acha!” Desde quando aprendi que no mundo não existem nem “mocinhos” e nem “bandidos”, não faço juízos precipitados em relação ao ser humano. É certo que a memória das obras dos homens sejam boas ou más não se evaporam na morte, isso é fato. Mas é injustificável tentar justificar um assassinato tão bárbaro e cruel como o foi o da modelo.

Pensando sobre o caso me veio à memória algo que sempre refleti na minha vida: na morte e na doença somos nivelados. Como assim? É na morte e na doença que nós aprendemos que as diferenças são insignificantes, o status social é insustentável, o preconceito é ridículo, a cor da pele é apenas a demonstração da riqueza da natureza…É na morte e na doença que os conceitos, os títulos, as definições se convergem para uma única apenas: a do ser humano. Diante da morte e da doença não existe prostitutas, artistas, anônimos, empresários, ricos, pobres, devotos, ateus, santos, profanos… Na morte e na doença o ser humano é nivelado e volta a ser o que apenas não deveria deixar de ser nunca: ser humano. Doa aos ouvidos de quem doer, mais a morte e a doença não escolhe suas vítimas somente entre os “pecadores”. A morte e a doença não escolhe apenas os famintos, mas também aqueles que se servem de tartare de salmão com maçã e funcho e filé de cherne com banana caramelada, passas e urucu. Não há nada mais democrático do que a morte e a doença! Elas vêm a todos sem distinção e sem convite.

Um sábio disse uma vez que “a sabedoria está em tirar o maior proveito possível do mal”. Se na vida (nós que estamos como que mortos para a repreensão e o ensino) não conseguimos aprender e nem tirar proveito das situações, a morte e a doença aparecem como o “mal” que nos nivela e nos coloca na condição de simples mortais impotentes e fracos contra tais forças exteriores. A morte e a doença (no caso a morte dos outros, pois a nossa não tem tempo pra nos ensinar nada, rsrsr) revelam a nossa fraqueza quando teimamos nos achar “fortes”. A morte e a doença demonstram que a fé é o único meio de nos sentirmos seguro diante desses poderes invisíveis e surpreendentes. A morte e a doença ensinam que somos todos iguais e as diferenças são inventadas e não podem ser sustentadas durante muito tempo, sendo desmascaradas diante delas. Um “mal”, mais um “mal” algumas vezes necessário. Eu é que sei, pois já estive doente, e de doença de “morte”. Mas a mão de Deus me resgatou e a situação me ensinou muito. Poderia ter aprendido sem precisar passar por isso, mas a Vida tem seus meios. Mais o importante é que fiz da situação um aprendizado que me abriu olhos que estavam cegos em meu ser.

Anderson Luiz

Obrigado pela opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s