Geração decadente


“Todas as coisas complexas estão condenadas à decadência.” (Buda)

Não gosto muito de ficar lembrando coisas do passado. Esse é um dos meus princípios. Raro algumas exceções onde encontro velhos amigos e a conversa nos leva a nos deliciar dos momentos bons vividos juntos e das situações cômicas. Sou de uma geração diferente daquela dos meus pais e diferente da atual. Da geração dos meus pais aprendi a gostar de Roberto Carlos, Fagner, Fábio Júnior, alguns sertanejos e pagodes de raiz… Vivi parte da infância escutando as músicas de minha mãe. Gostava de algumas, odiava outras, mas não me lembro de nenhuma canção que retratava as “doenças” da sociedade. Eram só músicas que falavam de amor (ou desilusões amorosas) e que tinham um certo respeito nas letras.

Ontem encontrei um amigo da minha adolescência e juventude que luta por um “lugar ao sol” no mundo da música e que já tem meio caminho andado nessa empreitada, e ficamos a lembrar dos bons tempos do passado. Lembrei de quando nos reuníamos na esquina e virávamos a noite ao som de um violão (que ele sempre tocava), conversando, rindo pacas, chorando a vida, bebendo vinho, falando das meninas da rua (quando elas não estavam conosco)… Lembrei dos antigos “Hi-Fi” (festas que aconteciam em praticamente todo o fim de semana) que rolavam sempre em diferentes casas, e por sermos amigos dos DJ´s estávamos sempre presentes. Ahhh, os “Hi-Fi”! Depois de muita dance music tinha o momento da “dança da vassoura”. Era o momento de dançar coladinho com aquela gatinha ao som de uma musiquinha lenta e jogar uma “idéia” para ver se colava. Eita coisa boa! Isso quando não tirávamos onda de DJ´s e aprendíamos até “mixar” só pra facilitar os “amassos” com as meninas. Lembrei também das vezes que comprávamos discos de vinil de bandas como os Gun´s in Roses, Nirvana, Pearl Jam, Metallica… E íamos pra casa de alguém ficar escutando, trocando idéias, bebendo vinho, namorando… Na minha vida de “bad boy” eu tinha um canivete de pressão, um “soco inglês” e corrente para casos de brigas. Hoje o negócio se resolve é na bala. Já éramos filhos de uma geração decadente, mas acho que ainda havia respeito. Talvez esteja errado, mas pelo menos eu e meus amigos pensávamos assim.

Outro dia fui fazer um trabalho em sala de aula com a música da Legião Urbana, Índios. Uma letra muito boa para reflexão sobre alguns assuntos da disciplina. Uma das alunas (daquelas que se apaixonam pela posição do professor) veio me perguntar se eu gostava daquele “tipo” de música. E eu achei super engraçado quando ela perguntou se minha mãe me deixava escutar “aquilo”. Pensei comigo: “Aquilo o quê?” A vontade que tive era de perguntar se a mãe dela não proibia ela de ouvir Lady Gaga, funks pornográficos e recheados de banditismos e essas bandinhas da moda que não tem nada da filosofia rock n´roll. A verdade é que somos filhos de uma cultura também e até entendo ela. Somos filhos de uma geração em crescente decadência! Eu sou filho da geração dos 80 e 90. A geração “emo-net” é diferente! Não tem idéia dos “Hi-Fis”, da “dança da vassoura”, das “mixagens” acertando as batidas das músicas de dance… Não choraram a morte de Kurt Cobain, do Renato Russo e do Cazuza. Não dançam ao som de uma “lentinha” agarradinho e sentindo o perfume da gatinha. Tenho saudades do passado! Me sinto deslocado nesse mundinho “emo-net”! É por isso que todas as vezes que o lembro trato logo de deletar da memória se não sofro. Tá difícil se adaptar! Aliás, nem tento e nem acho isso importante. Apesar da decadência tinha muito de “rock n´roll, ou seja, tinha muito de diversão e ainda um pouco de respeito. Hoje em dia a diversão ainda existe, mas é difícil enxergar o respeito.

Anderson Luiz

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