Sobre o nada


“Quase todos os homens vivem inconscientemente no tédio. O tédio é o fundo da vida, foi o tédio que inventou os jogos, as distrações, os romances e o amor.” (Miguel Unamuno)

Todo mundo passa pelo nada! O nada é aquele momento cintilante e latente de vazio existencial, momento de “zerificação da vida” e “zumbificacão” do ser. No nada o tempo parece não correr, a vontade parece não existir, a apatia reina imponente e o tédio traduz a linguagem da alma. No nada a doença outrora diagnosticada dos antigos africanos escravizados no Brasil chamada de “banzo”, que era uma tristeza profunda de morte, triunfa de maneira imperiosa. No nada nenhuma inspiração é bem vinda, ainda que haja inspiração. Acho que todo mundo passa pelo nada! Se não estiver certo então sou um alienígena e não um ser humano.

O problema é que no nada a vida fica escura se as pessoas fecharem os olhos. No nada se passa com os olhos abertos e apesar de não se enxergar nada, ainda sim se enxerga alguma coisa. O nada pode ser personificado? O nada ainda é alguma coisa e se não for, ainda é uma palavra. O nada parece o “vale da sombra da morte” recitado pelos cristãos no Salmo. E ainda que passemos pelo vale do nada, não podemos temer mal algum, pois todos passam por ele. “No início a terra era sem forma e vazia”! O reino do mundo pertencia ao nada, a esse vazio que agora reina temporariamente nos corações humanos. O “Fiat Lux”(Haja Luz) de Deus foi a idéia inspiradora que fez do nada alguma coisa. No nada não se pode fechar os olhos! Tem que haver uma faísca de luz, ainda que seja a luz dos olhos humanos. No nada o melhor a fazermos é esperar no escuro da caverna com os olhos sempre abertos para contemplar a luz do sol que vem de fora ou de dentro de você. E ela sempre vem! O sol sempre volta! A luz sempre brilha nesse ciclo vicioso! E é possível enxergar muito bem na escuridão.É preciso reconhecer que sempre há uma luz! E se essa luz não vem do fim do túnel ela vem de si mesmo. Há luz o suficiente em nós mesmos para vencermos o nada, o vazio, a escuridão, a dor, o banzo, a solidão, a angústia…

No nada ainda assim se encontra inspiração! Ainda que seja pra falar sobre nada. Não tente entender o nada, ele não é compreendido. Não se traduz o nada, só se experimenta. Pode ser que o sentimento de nada seja um “estado de espírito” e sendo um estado é estável e não fixo e irá passar quanto menos se perceber. Relaxe e espere a vida a passar pelo nada, esse “vale de sombra da morte”. Só não se prostre no nada, mas continue a caminhar, pois ainda há luz em seus olhos. Não perca as forças no nada, mas se alimente dele e recupere as energias. Nunca feche os olhos no nada porque ai ele te engole. Mantenha os olhos sempre abertos, sempre vigilantes, porque “os dias são maus” e requerem vigilância permanente. Nada para fazer pode ser sinal de algo para acontecer. Só depende da luz! “Fiat Lux” para todos!

Anderson Luiz

2 comentários em “Sobre o nada

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