Chorei!


“Chorar é diminuir a profundidade da dor.” (Willian Shakespeare)

Chorei ao ver aquelas bandeiras brancas significando o anseio de uma população terrivelmente oprimida há anos e vê no poder de coerção do Estado a sua “libertação”.

Chorei ao imaginar as pessoas de bem presas em suas próprias casas e sem poderem se mover por um instante.

Chorei por imaginar essas pessoas assistindo pela TV suas casas e seu território sendo vigiado pelo mundo como o reduto do “mal”.

Chorei pelas crianças que não podem sair às ruas para brincar e tem como única “diversão” agora a brincadeira de se esconder dos tiros debaixo de suas camas.

Chorei ao assistir a entrevista de uma mãe que perdeu dois de seus filhos nessa “guerra” ao narcotráfico e que ainda encontra forças pra dizer que confia em Deus e tudo vai ficar bem.

Chorei ao ouvir a mensagem repassada a uma repórter de uma moradora que não quis ser identificada que dizia se sentir segura com a presença das forças do Estado na Penha.

Chorei ao escutar o testemunho de um morador que disse que há 5 anos vivia trancado em casa e que nessa noite pode dormir com as janelas abertas.

Chorei porque ao viver no conforto do meu lar (apesar de não viver em um bairro tão tranquilo) não tinha a ideia do nível de opressão que os meus irmãos dessas favelas vivem.

Chorei ao não ver a mídia em nenhum momento dizer que apesar dos inúmeros bandidos o Complexo do Alemão e da Penha abriga na sua maior parcela pessoas de bem, trabalhadores, mães de família, estudantes e pessoas que não tiveram uma oportunidade na vida e ainda assim não optaram pelo tráfico e nem para o banditismo social.

Chorei por não ter o que fazer ou ainda por ter sim o que fazer e por covardia não faço para ajudar os meus irmãos.

Chorei porque achando que escrevendo um simples texto de dor estarei de alguma forma ajudando aqueles que não precisam de um simples texto pára ajudá-los.

Chorei ao imaginar algumas mães chorando dolorosamente por seus filhos que optaram por fazerem parte das fileiras do exército dos traficantes e se debelaram com suas armas.

Chorei ao imaginar que muitas dessas mães nem se quer tiveram tempo de se despedirem de seus filhos armados que se foram e talvez nunca voltem.

Chorei pela minha impotência!

Chorei pela minha falta de fé na vida!

Chorei pela minha falta de esperança em relação ao mundo!

Chorei pelas pessoas que nesse momento nem são lembradas enquanto a mídia exalta o “Estado” e suas forças! Desculpem-me os otimistas! Mas ser otimista no mundo em que vivemos hoje ou demonstra hipocrisia, ou uma fuga da realidade de uma pessoa que prefere mascarar as situações do cotidiano agarrado nos picos de felicidade que a vida proporciona. Não sou pessimista nem otimista (se bem que para o mundo não vejo esperança)! Apenas percebo uma realidade! Pode ser que esteja errado e amanhã venha a mudar. Mas o amanhã ainda não existe e o que os meus olhos vêm hoje é o que percebo. As escrituras não nos dizem: “chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram”. Que amanhã possamos nos alegrar com nossos irmãos na sua libertação do poder dos narcotraficantes. Ou não! Fica ainda essa possibilidade! Que Deus dê liberdade aos nossos irmãos do Complexo do Alemão e da Penha!

Anderson Luiz

 

Um comentário em “Chorei!

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