O intelectual utópico


“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.” (Paulo Freire)

Utopia é um sonho nunca antes realizado! O que não quer dizer que nunca possa se realizar. Existem várias teorias que procuram conceituar a palavra “intelectual”. Algumas delas se espelharam em Platão que dizia que o mundo deveria ser governado pelos sábios. Depois veio Thomas Morus com seu livro “Utopia” que defendia o mesmo e também Tommaso Campanella em sua obra “A cidade do sol”. Todos vendo os “intelectuais” como seres superiores e dotados de conhecimento necessário para governarem o mundo. Fugindo um pouco dos conceitos formulados pelos “criadores de conceitos”, o intelectual que apresento nesse texto é o que é definido por qualquer bom dicionário, ou seja, “aquele que é dado ao estudo”. Prefiro essa definição simples! Ser dado ao estudo é mais do que ser informado sobre a maior parte das coisas. É se dedicar a compreensão de que a vida pode ser facilitada pelo exercício da inteligência. Digo exercício da inteligência, porque entendo que essa deve ser estimulada, excitada, compungida.

Em minha opinião não existem “burros”! Existem apenas aqueles que põem em prática a inteligência que lhes foi dada e aqueles que ainda dormem e não despertaram a inteligência que neles jaz adormecida. Para mim a inteligência é questão de descoberta, de confiança em si mesmo, de auto-estima, de lapidação dos tesouros da alma. Mas há algo superior a inteligência: a sabedoria. O inteligente tem grandes habilidades mais geralmente suas habilidades são teóricas, em contrapartida o sábio aplica a teoria na sua vida ou o contrário, tira da experiência da vida a sua própria “teoria”.

Vejo “nerds” com vergonha de serem “nerds”! Intelectuais que não assumem sua intelectualidade que para o mundo e principalmente para a mídia representa aqueles carinhas tímidos que usam óculos, que vivem com livros na mão, que nem se quer dão beijo na boca, que são os primeiros da classe e não passam cola a ninguém, que só usam palavras cultas e que vivem isolados. Esse é o estereótipo que a mídia apresenta do “nerd”, esse intelectual da era moderna. Culpa dos próprios! A mídia tem seus objetivos: “matar os “nerds” para dominar sobre a massa ignorante”. Os “nerds” são culpados porque não se adaptam, não são flexivos, se “acham”, olham de cima…

O “intelectual utópico” é aquele que deveria ter o prazer de servir de sua inteligência para o bem-estar humano. O “intelectual utópico” deveria ser o que ao invés de “olhar de cima” olhar nos olhos, encarar, bater de frente com o mundo sem se isolar. Tem que ser capaz de se adaptar, participar da socialização, conversar uma conversa que não seja aquele papo chato de graduação, especialização, mestrado, doutorado… Ele deve saber cantar uma mulher sem ofendê-la e saber conversar sobre um pouco de tudo. Ainda que ele discorra sobre Política, sobre Cultura, filosofias e teorias, tem que saber que existem pessoas e lugares específicos para tais conversas “intelectuais”. O “intelectual utópico” é capaz de conversar altos papos com um caipira do mesmo modo que conversaria com um “Arnaldo Jabor”. Ele precisa ser livre para dizer “foda, porra, merda” sem se achar inculto ou mal-educado. Terá que aprender que tudo tem seu tempo determinado. Há hora de estudar, há hora de festejar, hora de curtir a vida, hora de se isolar para reflexão, hora de fazer sexo se não enferruja. E o mais importante, deve compreender que tudo o que sabe na vida é que não sabe e não conhece nada. Se conhecer, conhece uma ínfima parcela em relação ao Cosmos, as galáxias, aos grandes buracos negros, as nebulosas, aos seres que vivem nas profundidades do oceano, ao mistério do funcionamento do olho humano… Resumindo, não conhecemos porra nenhuma! Somos tão ignorantes, que no conhecer 0,000000000000000001% de tudo o que existe em nosso misterioso universo, nos achamos deuses. “Intelectual utópico” é aquele que não se envergonha em se assumir como tal, mas ao mesmo tempo assume sua ignorância.

Anderson Luiz

Um comentário em “O intelectual utópico

  1. Big Bang Theory! Eu gosto desse lado pateta dos nerds, gosto do jeito tapado, dos temores deles e certos gostos. A única coisa que realmente não desce na guela é o nerd metido, dá vontade de dar porrada. Depois não reclame de bullying. Eu conheço uma garota nerd metida, é a prova de que pode existir uma mulher muito linda, muito inteligente, mas que você quer distância. (Fica tranquila *Agnalda*, eu não bato em mulher)

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