Apenas humanos! Pode ser?


“E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano” (Clarice Lispector)

A visita que fizemos em Itaipava-Petrópolis-RJ nos deixou um tanto quanto assustados por vermos com nossos próprios olhos a destruição e a ruína causada pelas chuvas. Barro, muito barro! Proporções diluvianas não seria uma hipérbole! Árvores arrancadas, carros e motos destruídas, muros e casas partidos ao meio, sinais da altura da água em todas as casas em um sinal assombroso. Histórias, quantas histórias! Perdas e mais perdas se somam ao caos do descaso público e da revolta de quem é informado. Muitos desaparecidos, milhares desabrigados e uma multidão de voluntários dando o seu tempo para ajudar de alguma maneira. Difícil esquecer o que os olhos viram! Uma coisa é o sensacionalismo midiático, outra coisa é a realidade! E que realidade! Dura, cruel, realidade essa disposta a deixar todos sem respostas a dar.

Há cenas que ficam pra sempre em nossas memórias. Como esquecer aquelas puras criancinhas se divertindo a beça em um pula-pula montado em uma Igreja Católica? Como não se lembrar de suas alegrias ao serem atendidas atenciosamente por voluntários que as pintavam? Como esquecer a cena de um comerciante que perdeu sua mercearia e com uma mangueira na mão tentava lavar o que nem lavando se recuperava? E a água que saia da mangueira não tinha força nenhuma, parecendo acompanhar aquele comerciante que também se encontrava sem forças. Voluntários e mais voluntários se juntavam há um exército disposto a por em prática o bem em prol de quem precisava. Jovens que vieram de longe e se dispuseram a botar em prática o amor ao próximo. Igrejas unidas no seu papel “missionário” de levar uma palavra de conforto e de esperança. Mas duas perguntas feitas por pessoas diferentes e que tinham o mesmo conteúdo fizeram com que eu e meus irmãos questionássemos. “De que igreja vocês são?”

“De que igreja vocês são”? Por duas vezes nos fizeram essa pergunta e parecia que havia algo de mecânico no ar. Tem que ser de igreja para fazer o bem? Se for pra ajudar sem querer “evangelizar” ninguém, não vale? Será desperdício o amor fora da religião? Essas e outras perguntas eram questionadas enquanto caminhávamos. Existe uma cegueira entre os religiosos de que somente eles são os embaixadores do bem, somente eles se “preocupam” com as vidas e podem trazer uma mensagem de esperança. Não temos uma “Igreja”, não pertencemos a nenhuma denominação, mas entendemos que somos Igreja enquanto entendemos que essa palavra significa “a reunião dos que tem objetivos comuns”. E nosso objetivo era um: o de contribuir, mesmo que de maneira mínima, para trazer um pouco mais de esperança aos nossos irmãos afetados pela tragédia. Mas aqueles jovens ainda continuarão perguntando: “De que igreja vocês são?” Na cabeça deles a ação do bem só pode proceder da religião. A resposta que daremos na próxima vez será: “humanos apenas humanos! Pode ser?”

Anderson Luiz

4 comentários em “Apenas humanos! Pode ser?

  1. Ótimo resumo!! Independente de religião fomos bem recebidos nas igrejas,e hoje o ser humano deve entender que têm que se unir e não se separar… Mas o sentimento que tive ao ouvir essas perguntas foi apreensão, medo de dizer q sou de determinada religião que eles não queriam ouvir, como rixa religiosa….

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