Ainda sou Professor!


“É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.” (Immanuel Kant)

Sou um trabalhador assalariado que acorda de manhã e sai para ganhar o pão mais que suado de cada dia.

Sou um “artista” representando uma “peça” do teatro social, para a maioria dos alunos-platéia que me assistem.

Sou um “advogado” defendendo a causa daquele aluno-vítima que levou uma “borrachada” na orelha, diante do Diretor-juiz.

Sou um “assistente social” com aqueles alunos que precisam de orientação na resolução de seus problemas sociais e não problemas-exercícios do quadro.

Sou “psicólogo” com os alunos-pacientes, perdidos emocionalmente, frustrados e carentes de afeto em seus lares, contando suas vidas solitárias e depressivas.

Sou “palhaço” de circo, obrigado a tentar prender a atenção do público-aluno que só aprende com “palhaçadas” e tem horror a coisa séria e de extrema importância.

Sou “ditador” e “fascista”, na maioria das vezes forçado a ser, para não deixar que uma “revolução” aconteça na sala de aula e tenha que ver cadeiras e mesas jogadas ao chão.

Sou um “idiota” quando respondo educadamente se o que estou passando no quadro é para copiar.

Sou um “agente penitenciário” que vigia os alunos-meliantes a permanecerem na sala-prisão, e poderem “gozar” de sua liberdade no toque do sinal que indica seu momento de banho-de-sol-recreio.

Sou um “delegado” que tem que investigar quase todo santo dia quem roubou o lápis ou caneta de fulano.

Sou um “anjo” que tenho que suportar ouvir logo que entro na sala-pedaço-do-inferno, perguntas do tipo: professor por que não faltou hoje? Ou do tipo que já ouvi: obrigado por ficar doente!

Sou um “pai” mesmo não tendo filhos, nos momentos em que os alunos-filhos não sabem o que é ter um pai ou mãe que conversa e se preocupa com eles.

Sou um “escravo”, “escravo” desse sistema educacional que diz que a culpa de os alunos-problemas atrapalharem a aula é do professor-babá que não se impõe.

Sou até “sacerdote” na hora em que os alunos-rebanho pedem minha opinião sobre alguns assuntos que surgem na matéria relacionados a religião. E aí não posso ficar omisso nas minhas opiniões.

Sou “enfermeiro”, sou “pacificador”, sou “modelo”, sou um “misto” de coisas que dependem de uma situação específica, porém acontecendo quase que diariamente.

Sou grato a Deus por tudo! Mais apesar disso quero mudanças!

Sou “forte” de espírito para não sucumbir!

Sou “feliz” por saber que existe gente-trigo de Deus no meio dessa plantação!

Sou “fortalecido” no abraço e no carinho de um aluno-humano!

Sou “incentivado” nas discussões sadias e calorosas dos alunos que questionam, perguntam e querem aprender de verdade!

Vou “amadurecendo” na experiência!

Vou crescendo melhor na “poda” da árvore!

Vou aprendendo com quem também ensina e muito: a vida e os meus alunos-professores!

E depois de ser todo esse misto de “seres”, de usar todas essas “máscaras” e de exercer esses “papéis sociais”,  me lembro que:

Ainda consigo ser Professor! Como? Eu ainda não sei!

Anderson Luiz

2 comentários em “Ainda sou Professor!

  1. Pablo Santana Cara simplesmente perfeito. Parece um desabafo coletivo, daqueles que ainda acreditam na arte de educar.Confesso pra você cara, espero que os anos passem e continuemos acreditando, não dando ouvido para os velhos guerreiros…. copiei e salvei em meu arquivo cara!!!!!

Obrigado pela opinião!

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