A vida é uma estação de metrô


“A hora do encontro é também despedida a plataforma desta estação, é a vida.” (Milton Nascimento e Fernando Brant)

Multidões e multidões em São Paulo seguindo o fluxo, os comandos e sem ultrapassar as barreiras. Alguns ultrapassam, seguem em sentido contrário… Sinais indicativos em todos os lugares te dizendo quase que num grito, o caminho a que deve seguir. Desça por aqui, suba por ali, vire à direita, à esquerda… Placas indicativas dos destinos finais… estações e mais estações até que se chega ao destino final. Gente, muita gente se encontrando, se esbarrando, se estressando… Uma massa que parece estar em sintonia perfeita, marchando no mesmo ritmo e sem olhar para trás. E quem olha para trás, quase que é pisado. Muitas diferenças em um único metrô de São Paulo! Negros, índios, judeus, asiáticos, europeus, gays, lésbicas… alguns bem vestidos, outros nem tantos… a grande maioria parece nem se importar com o mundo que gira ao seu redor. Com seus fones de ouvido, aquele mundo parece tão normal e rotineiro que dificilmente sairia um texto sobre ele. Esperando o metrô é hora de relaxar! É hora de trocar carinhos com a namorada ou companheira, é hora de visualizar melhor o povo, é hora de brincar com os amigos… mas existem aqueles que ainda continuam estressados, quase engessados, movimentando apenas o pescoço para tentar enxergar o metrô que não vem. As vezes ele demora! Ou as vezes ele chega rápido!

Tudo é muito imprevisível (mas a grande maioria acha previsível)! E a vida não é assim? Imprevisibilidade é uma característica da vida humana! Tudo muda, as pessoas mudam, as atitudes mudam, a gente muda… Tudo está em um processo de grande transformação! Assim é a vida! Nunca sabemos nada! Essa nossa amiga passageira e efêmera, se assemelha a uma estação de metrô. Multidões seguem um fluxo e reagem a comandos, mas poucos vão em sentido contrário. Em alguns pontos da caminhada da vida essa multidão vai se separando para seguir cada um ao seu destino final. Vivemos e nem nos damos conta de que estamos vivendo, por que nunca nos admira a normalidade da vida. E normal não é sinônimo de previsível, mas de acomodação! Mais quando acontece uma situação inusitada, acordamos como de um sonho (ou pesadelo) para contemplar a realidade. Tudo passageiro, tudo programado, todos os sinais indicativos… Não come isso, não toque naquilo, evite andar aqui, tenha uma religião, case e tenha filhos, eduque bem os seus filhos… As diferenças entre nós são gritantes! Mais insistem em nos modelar, nos uniformizar… Vendem-nos um abadá! Quem não relaxa e goza não vive bem! Há um tempo para dar uma parada e respirar um pouco, namorar, curtir as amizades, reparar no mundo e nas pessoas que nos cercam, perceber a carência dos seres humanos. Ainda não aprendi a viver, mas já deu para perceber que a vida se assemelha muito a um metrô paulista.

Anderson Luiz

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