Permita-me a loucura!


“Até aos quarenta anos o homem permanece louco; quando então começa a reconhecer a sua loucura, a vida já passou.” (Martinho Lutero)

Permita-me a loucura! Loucura, loucura nesse caldeirão. Louco de pedra é o meu nome. Como não ficar louco nesse mundo cão? Como não ser afetado psicologicamente ao ver as puras crianças da vida no meio das cobras de fogo dardejando ardentemente sopro maligno de cima dos prédios. Como não surtar contemplando lobos malignos devorando carnes ao meio-dia, dividindo ossos com outros animais ferozes e saltitando de prazer ao olhar do monte a multidão inocente de cordeirinhos dos sonhos a pularem as cerquinhas. Louco de pedra sou eu! Descobri a loucura observando os conceituados como “loucos”, nos sanatórios e em suas camisas-de-força. Esses não quiseram vestir a camisa da firma, o uniforme da escola e preferiram a uma mordaça de panos. Na verdade não preferiram, foram preferidos por ela. Loucos! Mas esses me ensinaram! Aquele que imitava D. Pedro I disputava palavras com D. Pedro II. Eis que surge Hitler para “abençoar” a discussão! E eles é que são os “loucos”. Vi que os “loucos” fogem da realidade e representam um papel. Eu na minha loucura resolvi representar o papel de normal. Atuo tão bem no papel de normal dentro da sociedade em que estou inserido, que nunca ninguém notou que sou louco. Sou um ótimo ator. Também sei atuar na minha loucura no papel de Professor, de marido, de cidadão, de homem de família, e até hoje tenho me saído ileso diante dos psiquiatras que nunca perceberam o meu surto. Louco quando escrevo por que a loucura é para os artistas e escritores, já dizia nosso falecido Nietzsche. Nunca fiz Teatro, nunca atuei em peças, mas me sinto um grande artista no palco da vida. E a plateia não me aplaude por que faço o papel dos normais. Só que nessa peça quase não tenho fala, não me oportunizaram essa honra. Se propusessem o meu discurso logo me internariam e me apresentariam a vestimenta dos obscurecidos de razão. Falo como um louco, penso como um louco, discuto como um louco, me indigno loucamente, mas não consigo nesse mundo cão viver loucamente. Preciso me libertar dessa camisa de força invisível que tem por nome “moral”, “trabalho”, “sociedade”, “dever”, ou seja lá que merda que for. Será que consigo? Tenho coragem de tentar? Alguém tenta comigo e me dá força? Não a força de uma camisa-de-força. Essa eu já uso invisivelmente!

Anderson Luiz

 

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