Daremos laxante ao tempo


“Não podemos aguardar que os tempos se modifiquem e nós nos modifiquemos junto, por uma revolução que chegue e nos leve em sua marcha. Nós mesmos somos o futuro. Nós somos a revolução.” (Beatrice Bruteau)

Cronos era o deus grego do Tempo. Sua figura causava terror entre os seus filhos, pois todos eram devorados pelo pai Cronos quando nasciam. Cronos não aceitava herdeiros! Seu trono era somente seu, e nenhum de seus filhos tinha o direito sucessório de reinar. O Tempo também devora seus filhos! Cronos é o Tempo!

O Tempo é mandão, autoritário e ditador. Cronologicamente perfeccionista como um elemental de Terra, ele é devorador das horas, minutos e segundos. Ceifa as vidas como a morte. Cronos engolia seus filhos vivos, e eles cresceram no estômago dele. Há quem vive preso na barriga do Tempo! Há quem é oprimido pelo Tempo! Há que não vê o mundo fora do Tempo! São os temporais! O Tempo esmaga, trucida, aprisiona milhares de vidas. O Tempo deprime aquele que não vê o Tempo passar e aquele que acha que ele passou rápido. Quase tudo na vida é uma questão de Tempo (se não for tudo). Tempo é dinheiro! Tempo é escassez e se esvai como em uma ampulheta. Viver no Tempo é viver de problemas que embrulham o estômago, literalmente. É preciso dar um laxante ao Tempo/Cronos para que ele possa evacuar seus filhos. Ou quem sabe embriagá-lo, como na Mitologia grega para que os vomite. Sem destronar o Tempo não se pode reinar. Estamos fadados a escravidão temporal. É preciso sonhar o sonho possível da eternidade!

É preciso viver fora do Tempo, do “seu” Tempo, do Tempo passado, do “nosso” Tempo, desse Tempo futuro que nem existe. É preciso escorregar como merda se necessário for, para as partes mais baixas. Quem vive preso no Tempo se pre-ocupa, ou seja, se ocupa de problemas antes do fato em si. Mais isso é difícil! Quem disse que seria ou será fácil? Somos humanos, filhos de Cronos por natureza, temporais e materialistas. Difícil mais não impossível! Podemos sonhar, imaginar, refletir, condicionar a mente a se libertar das horas, espiritualizar e fugir do Tempo como quem é vomitado por ele. Devemos criar uma ânsia de vômito, uma diarréia, um mal-estar estomacal no Tempo/Cronos. Isso é buscar a liberdade! Isso também é questão de fé! Só não marque um Tempo para isso, faça isso já. Um novo Tempo não se inicia, pois o Tempo sempre é velho e caduco e nele não existe nada de novo! Kairós, a oportunidade é o novo substituto do Tempo! A eternidade também pode ser amada! Vamos oferecer um laxante ao Tempo?

Anderson Luiz

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