Maldita seja à pressa!


“O raciocínio e a pressa não se dão bem.” (Sófocles)

“A pressa é inimiga da perfeição” já dizia um velho adágio popular! Vivemos em mundo apressado, o mundo do “para agora” e não do “para depois”. Esse imediatismo no mundo é maldito, pois ele insiste em dar com os carros na frente dos bois. Acelerar o processo natural, a ordem cósmica, as leis invisíveis é uma tarefa humana, maldita e inútil. Desejamos o fim do ano, do mês, do trabalho… Aceleramos o nosso andar na rua, aquele andar firme, dogmático, quase militar que se presta a vencer uma batalha: a luta contra a naturalidade. O mundo está mais acelerado, as tecnologias avançam, as crianças crescem rápido (são adultos na mente), os dias estão abreviados, as noites são como um sopro. A fórmula 1 humana não é aquela da corrida de carros, mas a cotidiana da corrida de gente. Corrida para ver quem chega em casa mais rápido depois do trabalho. Corrida para ver a novela, o filme, a família. Corrida para vencer a batalha da vida que deixa de ser vivida naturalmente para ser conquistada como troféu. A vida não é um troféu a ser conquistado como nas corridas, pois a vida nos conquista por si mesma. É só permitir ser guiado pelo seu fluxo! A vida é como o vento que não sabemos de onde vem e pra onde vai. Ela é descontínua, enebriante, natural e sobrenatural, com leis de improbabilidade, supreendente e misteriosa. A vida tem vida por si só e não necessita que demos corda para que ela funcione como um brinquedo. Por quê apressá-la? Por quê acelerá-la tanto? Deixa a vida viver a sua vida em paz! Não acorde a vida, somente entre em acordo com ela. Não atormente a vida, espere que a tua mente se alie a ela. A vida é simples e complexa! Não tem como defini-la, o máximo a fazer é aceita-la! Não é aceitar no sentido de um conformismo paralisante que não te motiva a ir além das limitações humanas. É saber que as própria limitações humanas tem um limite. Perceber a hora de parar, de descansar, de buscar fôlego, de refletir sobre o caminho feito até aqui, dar oportunidades as emoções, as percepções, ao sexto sentido e não crer que a razão é a senhora da vida. Somos um todo, um conjunto de partes, dotados dos mais estranhos sentidos e sentimentos e a medida que hierarquizamos esses sentimentos, estragamos tudo. Tudo tem seu tempo determinado e isso não quer dizer determinismo! Como o sábio Salomão, há hora de abraçar e de deixar de abraçar… acrescento ainda que há hora de correr e hora de deixar de correr. Não há como viver correndo, pois uma hora há de se cair na pressa. Quanto maior a velocidade na corrida da vida, maiores serão os machucados do tombo. Correndo não se percebe o mundo ao redor, não se aprecia a natureza pelo caminho, não se sente o calor humano… Os apressadinhos elegem os mais variados inimigos: os velhos, os deficientes, os contemplativos… Perdem a sabedoria dos mais velhos, não aprendem com os deficientes a enxergar a sua própria deficiência espiritual, ignoram os contemplativos achando que perdem tempo contemplando. O mundo é pressa e seja maldita essa pressa! Bendita seja a pressa de mudança interior, a pressa de abençoar a quem precisa, a pressa de fazer o bem a todos e a pressa pelo fim da pressa maldita.

Anderson Luiz

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