Sobre o Carnaval


“Passado o carnaval todos colocam as máscaras…” (Aline França)

Baco era o deus do vinho, da loucura, dos exageros e das orgias na mitologia romana. Suas seguidoras eram conhecidas como bacantes e seus rituais eram acompanhados de gritos e cantos que causavam êxtases em seus adoradores. Era o deus também das substâncias psico-ativas (drogas), Baco trazia um mundo de “alegria”, “fantasia” e de “fuga” da realidade para os iniciados em seus mistérios e bacanais. Em sua adoração valia se fantasiar e interpretar os personagens diversos e inversos. O senhor virava escravo, o escravo senhor, o homem virava mulher e vice-versa. O culto a Baco sobreviveu desde tempos mais remotos e sem dúvida nenhuma podemos afirmar que o carnaval, a famosa “festa da carne”, do vinho e substâncias psico-ativas e da orgia, é parte desse culto.

O carnaval é a festa mais esperada e desejada no nosso País. Por vários motivos! É o momento do trabalhador descansar de seus trabalho, poder viajar, se alienar de tudo e de todos e poder curtir mais a família. Isso é bom! Há aqueles que preferem a festa mesmo! Se esbaldar na folia, exagerar na dose, arrumar uma transa, suar no ritmo da música até feder. No ritmo do “su-Baco podre” até o gringo se deixa enredar, sair de si, fazer vergonha e que se dane… o que vale é a loucura. E quem não acha bonito nesses dias ser louco, se alienar, sair de si por alguns poucos dias, se vestir de uma “fantasia” sem ajuda ou com ajuda de psicotrópicos. Melhor seria se o ser humano fosse equilibrado! É difícil o equilíbrio quando a festa é uma homenagem ao senhor dos exageros.

Tudo é exageradamente exuberante quando se trata de festas carnavalescas. As mulheres mais bonitas e turbinadas são chamadas a se tornarem “rainhas” de escola de samba, a verba pública paga os eventos gigantescos, os carros alegóricos são quase sempre fantásticos e mitológicos, as indústrias do álcool são sempre patrocinadoras das orgias, perdoe, das festas. Os pobres são os grandes financiadores da sua própria “alienação”. As maiores escolas de samba são de comunidades pobres que acabam bancando seus suntuosos desfiles, carros alegóricos e “fantasias”, enquanto a realidade dessas comunidades chega a ser tão dura quanto um pão dormido de uma semana que as vezes são obrigados a comer. Gravidez indesejada, acidentes na estrada devido a embriaguez, brigas, mortes diversas, doenças sexualmente transmissíveis se espalhando como epidemia e licenciosidades diversas fazem a parte negativa do culto a Baco ou “festa do su-Baco podre”. O mais importante nessa cultura tão “linda” e “maravilhosa” que se diz “brasileira” (mentira deslavada) é que na “festa” o empregado vira patrão, o oprimido se liberta, a santinha se prostitue, o intelectual dança e dança feio, o gringo se torna “brasileiro” (não por causa do Brasil, mas por causa das gostosas brasileiras), o tímido se solta e solta a língua na embriaguez e todos no ritmo alucinante da loucura de achar que a fantasia é realidade. Pergunte ao gringo se quando ele vem ao Brasil na festa do carnaval a sua intenção é só “sambar” e ficará abismado com a resposta que lhe der.

Anderson Luiz

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