Sobre a pobreza


“A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.” (Madre Teresa de Calcutá)

Pobreza é algo historicamente construído por uma parte da sociedade que se julga rica.

Pobreza é uma não-escolha, dado que não escolhemos nascer pobre.

Pobreza é um ajuste humano e não um destino divino, como pensa a maioria entregando a Deus a culpa pela “má sorte”.

Pobreza é uma injustiça e não uma falta de “sorte”, como se o “rico” fosse comparado a alguém que “ganhou” na loteria social. Não, não foi “sorte”, foi uma acumulação indevida perpetuada e repassada de geração à geração.

Pobreza é achar que sair dela é uma conquista. Não, sair da pobreza é um direito que todo cidadão tem!

Pobreza é achar que o objetivo da vida é “ser rico”, como se a “riqueza” fosse o bem supremo e o “elixir” da solução dos problemas da humanidade.

Pobreza é uma falácia arquitetônicamente construída, sendo que a palavra em si não nos diz nada e não denuncia o engano escondido no termo.

Pobreza é viver iludido de que chegar a “classe média” é ser quase “rico”. Não, isso é só uma ilusão para tentar conformar e domesticar a maioria.

Pobreza é ter de viver como os romanos de “pão e circo”, entretidos nas novelas, nos programas imbecis, nos jornais que não explicam nada, nas músicas inspiradas nas privadas…

Pobreza não é algo biológico, como se fossemos comparados a “lei da selva” onde os mais fortes como os leões devorassem os mais fracos animais.

Pobreza é um estigma, uma marca da Besta, desse sistema fantasioso de que todos falam e que nunca se ouviu e nem ouvirá de sua natureza concreta.

Pobreza é um engano, um engodo, uma falácia, uma ilusão, injustiça tremenda, direito roubado, opressão, tirania mascarada de falta de oportunidade.

Pobreza é ser convencido de vivermos em um país democrático só por que votamos e elegemos “nossos representantes”. Democracia, também é democracia econômica muito mais do que política.

Pobreza é viver com a alcunha de “pobre” e não saber que seria mais verdadeiro usar expressões como “menos favorecido”, “injustiçado”, “privado de bens materiais”, “oprimido”, “sequestrado de seus direitos básicos”…

Pobreza é hoje em dia motivo de chacota, vergonha alheia nas redes sociais, zombaria daqueles que não escolheram viver assim. Vergonhoso é não se conscientizar da injustiça!

Pobreza é achar que o antônimo de “pobre” é rico e não justo!

Só para citar um exemplo do que falo, vamos lembrar do que aconteceu aos africanos que vieram como escravos para o Brasil no período colonial. Foram tomados de suas terras e famílias, muitos morreram nos navios chamados de “tumbeiros” e os que “sobreviveram”, continuaram “sobrevivendo” a custas de chibatadas e serviços pesados. Depois de muitos anos de luta pela “Abolição da escravidão”, o negro se viu livre do senhor. Sim, mas e agora? O que fazer se não tinha salário, estava longe da sua pátria e não tinha como se sustentar? Onde morar, como “sobreviver”? Nasce as favelas, as periferias, alguns vão viver como quitandeiros, engraxates e trabalhar por comida e abrigo…outros não terão essa “sorte” e vão roubar. E isso perdura até os dias de hoje no nosso “lindo” país. Deu para entender a injustiça ou é preciso desenhar? Não que não exista pessoas de má índole e fazem mau uso das escolhas e que não existam oportunidades (o que eu prefiro chamar de justiça). Pobreza também é pobreza de mente quando não se busca se conscientizar da injustiça sofrida e que ainda continua operando.

“Porque já o mistério da injustiça opera;…” (II Tessalonicenses 2:7)

Anderson Luiz

 

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