E depois, o que sobrará de nós?


“… porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Gn 3:19)

Na infância, tudo o que queremos é brincar… e brincar sem saber das durezas da vida e suas responsabilidades.

Na adolescência algumas brincadeiras perdem a graça e o que sobra de nós? A adolescência chega “rebelde” e com vontade de mudar o mundo. Depois descobrimos que o mundo não pode ser mudado e nos frustramos. E depois, o que sobrará de nós?

Na juventude ansiamos em conhecer um amor e desfrutar do mais desejado para aquela fase: o sexo. Depois descobrimos que sexo não é tudo e o que sobra de nós?

Sobra aquela vontade de se dar bem profissionalmente e se sentir “útil” nessa máquina giratória chamada sociedade. Mas logo a angústia bate e percebemos que não é isso que verdadeiramente necessitamos…

Ainda sobra aquela vontade de ser igual a todos: casar, ter filhos, fazer muitos amigos e viajar bastante. Descobrimos que o casamento não tem nada do sonho “hollywoodiano”, que ter filhos nesse mundo em que vivemos pode não ser legal, que os amigos cedo ou tarde seguem seu rumo e que as viagens sempre são adiadas por causa de grana ou de trabalho. E depois, o que sobrará de nós?

Chega à fase da maturidade e ainda se procura um sentido e são muitas as reflexões. Depois algumas “conquistas” e vivemos normalmente como membros desse rebanho social. Ainda falta algo e sempre falta algo…

Experiências das mais diversas… drogas, diversões, religião, partidos políticos, idealismos, nada reconstrói os pedaços perdidos pelo caminho percorrido. Nada preenche a fome e sede de algo que nem se quer sabemos nomear. E depois, o que sobrará de nós quando tudo perder a graça, quando nada satisfaz, quando descobrirmos que o dinheiro é contingencial? O que sobrará de nós quando a busca por sexo não satisfazer os desejos, quando me encontrar “profissionalmente” e perder a vontade do trabalho, e quando a iminente doença e morte estiverem próximas? O que sobrará de nós? Sobrará por acaso o desejo de arriscar e acreditar em um Deus que dá sentido a vida, essa vida sem sentido? Sobrará pedaços que reflitam sobre as palavras de um homem que ensinou ao homem como se viver bem? É preciso ser despedaçado com o tempo para chegar a uma conclusão que dê sentido? Dá para viver sem sentido como querem os ateus?

E na velhice, se chegarmos, o que sobrará de nós? Se sobrar um coração que não se deixou contaminar por aquilo que não gera a vida, ficaremos felizes? Se sobrar a certeza, poderemos dizer que nunca nos vendemos para nada? O dinheiro, a ambição, o poder, o materialismo, as “perdas”, nada disso nos cegou, nos comprou, nos iludiu, nos corrompeu…poderemos contar essa “vantagem”? Até lá, o que sobrará de nós? Já parou para pensar ou já parou de pensar?

Anderson Luiz

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