Sobre palavras


“As palavras tem a leveza do vento e a força da tempestade.” (Victor Hugo)

Em nossos dias muitas palavras tem perdido o seu sentido original, ou tem caído em desuso e caducidade e ainda outras tem deixado de ser entendidas como eram entendidas na época de nossos avós. Muitas palavras já não tem o mesmo significado que tinham. Algumas palavras em especial estão se tornando obsoletas, desprezíveis… outras estão a se tornar objeto de banalização pública. São muitas as que estão sendo banalizadas, mas gostaria de frisar em especial três: amor, felicidade e sonho. Amor deixou de ser uma ação para ser uma paixão de pré-adolescentes e adolescentes. Amor deixou de ser algo a se alcançar com esforço para cair nos lábios dos interesseiros que dizem amar “despudoradamente”. Amor deixou de ser real e concreto para se tornar um canto na boca dos jovens que quase declamam que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”…Amor deixou de ser a visão de um casal idosos a andar de mãos dadas, para fazer parte de um jogo de conquista que tem a finalidade única de satisfazer as necessidades sexuais. Amor deixou de ser tanta coisa que fica difícil resumir em um pequeno texto. O amor só nunca deixou de ser uma ação, simples, verdadeira, porém de difícil prática. O resto são palavras jogadas ao vento em que não se encontra solidez.

A segunda palavra, felicidade, também tem sido objeto de banalização tanto quanto a palavra amor. Feliz já não mais o humilde, o que esta pronto a aprender, mas a felicidade parece estar com os arrogantes, presunçosos, cheios de si, “mestres e doutores” da vida que já se formaram e não se misturam mais com os outros. Feliz já não é mais o sensível, o que tem compaixão, que chora pelo próximo. Esse seria um infeliz para aqueles que precisam ser duros, “fortes”, homens de verdade para não chorarem e não se deixarem levar pela fraqueza dos sentimentos “inferiores” como as emoções. Felizes hoje parecem ser os racionais! Feliz já não é mais o paciente que não “luta pelos seus direitos”, que não se rebela e não se manifesta com violência, mas feliz é o que monta barricadas, incendeia ônibus, sequestra, rouba e mata para conquistar seus direitos e o seu domínio sobre a terra. E as vezes conquista, mas a custo de quê? Ah, isso não importa! Feliz já não é mais os sedentos da justiça divina que preza pela igualdade de vida e oportunidade a todos, mas sim aqueles que preferem a justiça do seu braço e se tornam “justiceiros” bancados por si mesmos. Feliz já não é aquele que tem facilidade de perdoar o próximo e se reconciliar com ele, mas aqueles que sabem ser vingativos, rancorosos e “fortes” para não não perdoarem aquele que te feriu, odiando-o a ponto de dar o famoso “troco”. Feliz já não é mais o puro de coração, o inocente que não vê maldade nas coisas, mas feliz hoje é o cheio de malícia, lascivo, sensual que vê em cada encontro fraternal uma oportunidade de tentar satisfazer suas concupiscências carnais. Feliz já não é o reconciliador, o que passa pela terra promovendo a paz. Feliz em nossos dias é o “guerreiro”, que guerreia pelo fim da guerra e se contradiz. Feliz é aquele que “fala o que pensa” e não vê que o que pensa e fala gera divisão, dissensões, alienação, etc. Feliz já não é aquele que é perseguido por falar e defender coisas nobres, mas aquele que não encontra resistência nenhuma na mídia e nos meios de comunicação em geral para fazer “fama” falando merdas e coisas absurdas e que são agradáveis ao ouvido de uma massa manipulada. A felicidade é algo do homem interior, ainda que seja banalizada como algo concreto, aparente e exterior.

A terceira e última palavra que está mais do que banalizada em nossos dias é a palavra “sonho”. Sonho deixou de ser algo nobre e coletivo para ser algo tão vazio, mesquinho e egoísta. O velho sonho de um mundo melhor para todos se tornou algo para os fracos, pois os “fortes” sonham o mundo de seu próprio umbigo. Sonho deixou de ser familiar para ser apenas financeiro. Sonho deixou de ser idealista e subjetivo como não podia deixar de ser, para se tornar concreto e realizado em um programa televisivo como o Big Brother. Dizer que sempre sonhou em fazer parte de um Big Brother é o cúmulo da idiotice! Sonhos mesquinhos, vazios, bobos, descartáveis… que se volte a sonhar nobremente! Ou melhor, que não somente sonhem (ou nem sonhem), mas vivam nobremente e entendam o espírito (sentido, princípio) das palavras.

Anderson Luiz

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