Ser ou não-Ser?


“Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser um homem de valor.” (Albert Einstein)

Quando Shakespeare foi inspirado a popularizar essa frase, ele talvez não tivesse a consciência da profundidade de sentido que ela carrega. Ou talvez sim, pois Shakespeare foi considerado um dos homens mais inteligentes do mundo. Essa frase carrega em si mesma uma verdade ímpar, comprovada enquanto se vive. Um dos grandes problemas da humanidade (se não for o pior dos problemas) tem a ver com a tomada de consciência de quem-se-É e o enorme conflito de não deixar-de-Ser. A labuta humana sempre foi nunca deixar-de-Ser, embora sempre houve os corrompidos e aqueles seduzidos pela aparência.

Na filosofia o termo “essência” sempre foi discutido. Embora alguns não acreditem em uma essência (o que muitos identificam como espírito, o Eu, Self, etc) não temos como negar que possuímos intrinsecamente princípios que nos norteiam a vida. Princípios esses não-religiosos (ainda que a religião reforce alguns) que parece ser inatos a nossa natureza. A noção de bem e mal parece ser um desses princípios, apesar de saber que bem e mal depende do olhar de cada um. Se o nosso Ser, entendendo que Ser é aquilo que Somos de fato, deixar-se de Ser por alguma causa (e essa só poderia ser externa), entraríamos em grande conflito e nos perderíamos como Seres-humanos. Ser ou não-Ser, eis a grande e misteriosa questão! Se pudéssemos estabelecer um parâmetro, uma lei para garantirmos a não perdição da humanidade eu diria que a salvação está em se buscar Ser aquilo que se É de verdade, ao invés de não-Ser e aparentemente ter a enganosa sensação de Ser. O que eu quero dizer com isso? O que eu quero dizer é que o mundo nos seduz a sempre deixarmos de Ser, apresentando em seus banquetes modelos prontos, regras traçadas ideologicamente, estereótipos que nos enquadram e nos prendem. Sem falar na infinidade de poderes ocultos nas especiarias “mundanas” que corrompem a nossa alma. Se um “brother” é capaz de vender a sua alma por 1,5 milhão de reais, julgando ser a aparência, a fama e o dinheiro a busca do Ser, é no engano que ele se envereda. Apesar de se transformar em um não-Ser, julga Ser enquanto a falsidade, o descaramento, o interesse, a ambição e a teatralidade confirmam sua doença: a loucura. Loucura no sentido de perda de sua “essência” em conformidade com algo que julga valer a pena essa perda. O externo impondo leis que interferem no que é interno, enquanto que o verdadeiro era exatamente o contrário. O Ser era quem deveria dominar aquilo que não-É (dinheiro, fama, necessidade de aparecer, etc) e não ser dominado e consequentemente modificado por ele.

À medida que a “essência” se impõe, há uma crescente consciência daquilo que não-É, nunca-foi e só tem algum valor por que um ser lhe atribuiu. O não-Ser não tem valor algum! O valor que ele apresenta é simbólico, representativo, imaginário. Ser ou não-Ser é uma questão de vida ou morte nesse mundo caótico em que tudo coopera para a inversão de valores e para o esvaziamento da vida enquanto Ser. Um exército de não-Seres tem se formado no mundo, marchando orgulhosamente enquanto se acredita ter encontrado o que se É quando se alcançou os seus “objetivos de vida”. Aqui, sigo a minha luta tentando (digo tentando, pois isso é uma tarefa árdua) nunca deixar-de-Ser, apesar das sedutoras ofertas por minha alma para o que parece-Ser e não-É, venha me corromper.

Anderson Luiz

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