Medicina x “média-sina”


“No dia do Juízo Final, os médicos terão de responder por mais vidas do que os generais.” (Napoleão Bonaparte)

Foi no ano de 1829 que a primeira instituição médica foi inaugurada no Brasil e desde lá a Medicina nunca perdeu a sua insígnia de status quo dos privilegiados da sociedade. Reservada a uma pequena e rica parcela da sociedade, a Medicina, mais que uma profissão, era sinônimo de “divinização”. Em livros de uma época nem muito distante, como por exemplo, no livro “Esaú e Jacó” de Machado de Assis, a Medicina juntamente com o Direito são retratadas como opções cabíveis a uma classe abastada que ostentava riqueza. Os recém sacerdotes-médicos agora amparados pela Ciência, que acabou por descredibilizar os curandeiros, os feiticeiros e xamãs, começam na consciência da população a serem tidos como semi-deuses capazes das mais certas respostas para seus problemas. A Arte da cura como era conhecida na Antiguidade, faz com que a população divinize seus “Mestres”. Os antigos médicos familiares passam a ser o “meu” e o “seu” médico, na mesma maneira em que se criou a necessidade de ter o “meu” e o “seu” advogado. Hoje os tempos são outros daquela época de início da Medicina no Brasil, mas o status da profissão, o orgulho de ser médico e ser o baú de todo depósito de confiança alheia ainda faz parte de nossos dias. O pior é que a situação da Medicina tem se agravado no Brasil de uma maneira espantosa!

Ainda que a Medicina nos primórdios de sua institucionalização no Brasil fosse privilégio de uma minoria economicamente rica, pode se dizer que havia grandes profissionais que se dedicavam a sua profissão por amor ao ser humano, o que em nossos dias essa é uma situação raríssima, tendo em conta a nossa própria observação como pacientes e as inúmeras denúncias existentes. O que se tem hoje em nosso País em muitos lugares é o exercício de uma “média-sina” ao invés de uma boa Medicina. A classe rica do País ainda esta presa ao passado quando interpreta a Medicina como forma de ostentar suas riquezas, fazendo de seus filhos meros instrumentos dessa interpretação e projetando neles o seu orgulho de ser rico. Muitos “filhinhos de papai” poderiam ser ótimos profissionais em suas vocações, mas presos por uma tradição e por uma demonstração de orgulho familiar, se sujeitam a fazer uma “média” para os seus pais, que introjetam uma “sina” na vida de seus pupilos, acabando por torná-los profissionais da “média-sina”. O fado, ou seja, a “sina” de ser médico deixa de ser uma vocação para os vocacionados e passa a ser uma obrigação para os convencidos. Já quase não há exercício da Medicina por amor ao ser humano, o que se vê é um interesse pelo salário, pelo status, pelo orgulho familiar.

Ultimamente a mídia tem pegado pesado com a Medicina no Brasil e quem tem “olho clínico” sabe do que estou falando. Programas satirizando os médicos, denúncias outrora encobertas sendo reveladas, Programas políticos como o “Mais Médicos” ridicularizados, médicos estrangeiros sofrendo preconceitos e outras situações constrangedoras tem botado em cheque o famoso código de Ética da Medicina. Diferente da mídia, a minha motivação é a luta pela volta do médico de vocação em contradição ao menino-fanfarrão “filhinho de papai” e a “patricinha” que faz “média” com o “paitrão” se aproveitando de sua “sina” de abastado para posar de médico como um status social. Se os jovens vocacionados a ser médicos (independente de sus riquezas), tivessem uma chance de cursar uma Faculdade de Medicina, o caos não teria se instalado. E enquanto houver médicos da “média-sina” o que temos que fazer é olhar para o céu e pedir livramento a Deus, para não cairmos nas mãos desses inconsequentes. Que Deus conserve minha saúde!

Anderson Luiz

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