Jesus e a questão da motivação


“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles… (Mt 6:1)

“Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens… (Mt 23:5)

A mensagem de Jesus era voltada sempre para o interior do coração humano. O coração humano em sua época, representava os desejos, os motivos, as vontades, a Razão. Alguns traduzem o coração como um simbolismo do “homem interior”, o “espírito secreto” que só Deus e o próprio possuidor dele é capaz de sondar. Nas palavras de Jesus era preciso prescrutar sempre o interior, era preciso refletir sobre as atitudes tomadas, era preciso abortar os desejos obscuros e as motivações erradas. Em sua mensagem era claro que do coração humano é que saia toda sorte de malefícios ao mundo (Mt 15:19). O fim de cada atitude dizia tudo sobre a pessoa! Por isso o alerta do Mestre de que era preciso vigiar, sondar em oração os seus desejos, silenciar para ouvir a voz interior mais doce e pacífica.

A questão da motivação sempre foi um dos maiores problemas da humanidade. Motivação tem a ver com o motivo, a finalidade, o objetivo que determinada ação (o que Jesus chama de obras) queria alcançar. A motivação do coração humano é por vezes perigosa, mesquinha, hipócrita, assassina… que o diga os fariseus. Os fariseus eram o exemplo prático da época de Jesus do homem piedoso, religioso, buscador da “bondade”, guardião da “moral e dos bons costumes”. Eram vistos por muitos como “incorruptíveis”, “íntegros”, “santos”, não se envolviam nos becos e vielas da vida, nem se metiam em confusões e “baixarias do mundo”. Exemplos de cidadãos “honoráveis” e “merecedores” de títulos nobres nos nossos dias. Para o Mestre, eram o pior exemplo a ser seguido pela humanidade, os quais mereceram o apelido dado por Jesus de “sepulcros caiados”, “raça de víboras” e hipócritas. Por quê? Por causa da motivação escondida em seus corações. A finalidade de suas “boas ações” era “aparecer”, suas intenções eram de serem louvados publicamente e na boca do povo se tornarem os “heróis” e “exemplos” da perfeição. Esse era o fim! Jesus denunciou e foi assassinado também por isso! Ele desconstruiu a figura mítica daquele “homem bom” e colocou em xeque a “religiosidade” de uma época. Mexeu em uma caixa de marimbondos!

Desde a época de Jesus até hoje, nada mudou! E ainda antes dele, sempre foi assim! O homem e seus desejos voltados para o próprio ego! O fim para Jesus, nunca justificaria o meio, como queria um certo Nicolau Maquiável! Alguns fins eram injustificáveis e injustos! Não condiziam com a justiça, a verdade do que o coração queria dizer. Os motivos não estavam em sintonia perfeita com a “realidade” alcançada! Tudo era falso, mentiroso, mascarado, destilava hipocrisia! E hoje? Quem é “bom” quando “ajuda” o pobre na televisão, expondo sua desgraça publicamente, com o fim de ganhar audiência? Ou com o fim de vender um produto? Quem é “justo” e “digno de confiança”? O político que abraça criancinhas e sobe a favela com o fim de receber votos na próxima eleição? Quem é “santo” para com Deus? O religioso que se sente “ungido” (escolhido) para “salvar” uma geração “pecaminosa”, com o fim de mostrar ao mundo e as pessoas que é de cidadãos como ele que essa geração precisa? São as mesmas questões humanas de sempre! Ninguém conhecia o interior humano como Jesus! Nenhum outro me fascina tanto quanto ele! Nenhum outro foi tão certeiro como o Mestre, quando o assunto era a interioridade humana! Admiro a inteligência e sabedoria de outros sábios, mas é a Jesus que quero seguir! E isso não tem a ver com religião, nunca teve, é somente questão de sabedoria para a vida.

Anderson Luiz

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