O “Esquecimento Global”


“O esquecimento mata as injúrias. A vingança multiplica-as.” (Benjamim Franklin)

Nos dias atuais há uma acentuada propaganda chamando a população mundial para a responsabilidade de nosso planeta que está se deteriorando. O tema “aquecimento global” tem sido noticiário de primeira linha nos principais veículos de comunicação ao redor do mundo. Ora como propagandas, ora como informação, o tema já gerou um bocado de controvérsias e há quem diga (cientistas) que o “aquecimento global” não passa de uma mera ilusão. Se o tal “aquecimento global” existe ou não, não sou eu (que não sou um especialista no assunto) que vou dizer. O fato é que o que tem me intrigado é a massificação da responsabilidade do ocorrido na natureza. Seria eu um mero trabalhador assalariado também responsável pelo tal “aquecimento”?

No primeiro momento se analisarmos o problema na teoria daqueles que veem a sociedade como um “Todo” dependente, onde cada peça tem sua função (Funcionalismo) e cada função não é independente do “Todo social”, acharia essa responsabilidade pelo “aquecimento global” um tanto quanto justa. Mais a coisa não é tão simples assim! Há algo que a grande maioria não enxerga nesse reducionismo propagado pela mídia.

Sem entrar aqui no mérito de teorias de conspiração e similares, o que se vê é a massificação de uma propaganda de “esquecimento global”. Uma propaganda que anula de fato os verdadeiros responsáveis pelas catástrofes mundiais que estão a ocorrer. Há uma intensa luta para se manter um esquecimento generalizado dos verdadeiros destruidores do planeta. Os donos das grandes indústrias que liberam produtos químicos nos ares (os mesmos que controlam boa parte dos meios de comunicação), já não estão satisfeitos de escravizar o trabalhador que vende sua força de trabalho, mas agora cria um meio de responsabilizá-lo também pelas desgraças mundiais. Engraçado é que, na hora do lucro, a divisão é feita de maneira desigual, mas quando o assunto é desgraça tratam logo de “socializar” ela. Toda a sociedade é culpada? Será?

O que acontece é que a sociedade deixou de ser o que é de fato para se tornar o grande “bode expiatório” do séc. XXI. Um exemplo clássico de “bode expiatório” é a favela do Rio de Janeiro. A violência e tudo que o Rio tem de ruim, se perguntarem para uma grande parcela de pessoas, a maioria dirá: o mal está nas favelas. Esse julgamento tende a esconder a corrupção, as desigualdades e as violências, tanto simbólicas quanto naturais daqueles que não moram nas favelas e morros e fazem de tudo para manter uma certa “ordem” e colocar cada um no seu “devido lugar”. É assim que se dá quando o assunto é “aquecimento global”, o “bode expiatório” é representado pela sociedade. Tudo é culpa da sociedade? O que é a sociedade? Não é formada por pessoas? Não são essas diferenciadas por diversos fatores (isso no Capitalismo), um deles o dinheiro? A propaganda do “esquecimento global” tira o foco das pessoas, que começam a se culpar, sendo que os maiores culpados já não se sentem tão sozinhos em suas culpas e podem dormir um pouco mais tranquilos e sem ter nenhum tipo de pesadelo. Sei que tenho minha parcela de culpa (irrisória se comparada a quem de fato é culpado), mas não vou deixar nunca que a massificação do “esquecimento global” não permita que eu lembre desses culpados que engordam através da escravidão do povo. E você?

Anderson Luiz

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