Existe originalidade?


“O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso.” (Simone de Beauvoir)

Há muito tenho pensado sobre a questão da originalidade. Ela existe? Será que damos origem a algo? Ou será que o sábio Salomão estava certo quando disse que “nada há de novo debaixo do sol” e “que aquilo que era tornará a ser como foi”? Se existe ou não, não sei (se bem que acredito que não), mas o que sei é que existe uma vontade em algumas pessoas do novo, daquilo que é diferente e pode ser descrito como “original”. A vontade eu sei que existe, pois eu mesmo a tenho, mas daí a dizer que é algo “novo” pode ser besteira. Prefiro me firmar na vontade do desconhecido, do “original”.

O tema me veio a mente nesses dias pelo fato de presenciar no mundo tanta falta dessa vontade para o “original”. Por quê? Poderia chamar isso de uns possuírem uma vontade forte e outros uma fraca? Será que quem possui uma tal vontade “forte” é porque aspira uma liberdade que quem possui uma vontade “fraca” não tem? Ou será que os de vontade “fraca” são tão abençoados na sua ignorância e inocência que as “crises” que os de vontade “forte” sempre tem não lhes alcança? Eita dúvida cruel!

Não tenho medo das “crises”! Sempre estive em crise e a considero uma benção. Etimologicamente crise quer dizer “juízo”. Isso nos leva a entender porque a crise é tão temida por uns e tão abençoada para outros que enxergam nela uma grande chance de melhora e de mudança. Quem entra em “crise”, ou melhor, em “juízo, julga sua vida, seus caminhos, seus valores e suas idiossincrasias sempre e tem a chance de “evoluir” (não gosto desse termo, mas cabe aqui) sempre. Por quê temer a “crise” meu Deus? Só há uma resposta: medo de mudança, comodidade.

Voltando a questão da “originalidade”, entro em “crise” pela falta da vontade dela no mundo. Não há vontade de mudar a si mesmo para melhor, não há vontade de mudança para o “novo”. Não há juízo das coisas, tudo é imitado, tudo é repetido, tudo é passado de boca em boca sem o minímo de critério, tudo é massificado e torna-se “popular”. Muitos não questionam se ter um Governo que nos diga o que é certo ou é errado, é bom ou mal. Muitos não questionam se Deus criou o homem ou se o homem criou um certo “Deus”. E para aqueles que creem em Deus, não se questiona qual é a sua “religião preferida”, pois há milhares que o “representam”. Quase ninguém questiona se a mídia é manipulada e serve aos interesses de uma minoria abastada. Quase ninguém questiona nem mesmo as linguagens “da moda”. E por falar em moda quanto mau gosto! E nessas questões eu sou um chato! E dai? Só não vem me dizer que sou do “contra”, sou rebelde (argumento imbecil), sou o “diferente” e tal. Que tenho eu de diferente, se mesmo sendo a minoria, existem milhares que pensam da mesma maneira? “Nada de novo debaixo do sol”! Sábio Salomão. Originalidade não tenho, mas uma tremenda vontade para a utopia pode até ser sim.

Anderson Luiz

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