Nem tudo é negócio!


“Escrever é um ócio muito trabalhoso” (Johann Goethe)

“Só nas horas de ócio se fazem coisas excelentes”. (André Gide)

A palavra negócio deriva do latim e quer dizer “negação do ócio”. Na Grécia antiga, o ócio era um privilégio de poucos. Somente os filósofos e a chamada aristocracia naquela civilização viviam na ociosidade. Viver na ociosidade para os gregos significava trabalho intelectual, tempo para o estudo e para pensar e filosofar sobre diversos assuntos sobre o mundo. Representava também liberdade, a liberdade de poder não trabalhar obrigatoriamente. Hoje o ócio é condenado! Vivemos em um mundo de negócios! Ócio nessa sociedade é coisa de vagabundo, de gente à toa e que não tem o que fazer e não quer trabalhar. O trabalho é visto como um deus que é capaz de “dignificar o homem”.

Os seres humanos se tornaram negociantes em tudo! Nossas relações sociais, nossa vida material, nossos sentimentos, nosso trabalho, tudo gira em torno de negócios. A paz, tranquilidade, calma e descanso dos filósofos do passado, passam a ser a condenação da sociedade do negócio. É preciso “lutar”, é preciso ter “atitude” e ser um “guerreiro”, e “barganhar” sempre para que as conquistas se realizem. Então negociamos tudo! Negociamos até com Deus e com o diabo! Negociamos até a nossa alma para sermos “vencedores”! Inquietação, correria, velocidade e uma certa “pro-atividade”, são as palavrinhas mágicas dessa “nova era” das tecnologias. Somos sugados e tragados por um sistema de trocas, tanto materiais como simbólicas. De fato é compreensível isso por que somos humanos. Entre os humanos é “olho por olho e dente por dente” e o negócio é parte de nossa natureza. Negociamos tudo! Desde nossos valores e princípios, até nossa alma e nosso caráter. O que importa é não viver no ócio e viver de negócio!

Nos tornamos almas inquietantes, impedidas de um sono tranquilo e bem relaxado. O lazer no mundo dos negócios é perda de tempo e de dinheiro. O trabalho nos consome ao ponto de levarmos ele para cama em nossos pensamentos. Ler um livro, deitar em uma rede ouvindo os pássaros, ver um filme legal, sair com amigos, viajar e conhecer outros lugares, contemplar a natureza, dependem de um esforço fenomenal. Há quem ache que isso é coisa de “vagabundo”! É possível viver o ócio sem sentimento de pecado! Como é bom relaxar, descansar, dormir até tarde, passear na praça e ficar olhando as crianças brincarem, ler um livro em uma rede sem ser incomodado, viajar com quem ama para ter contato com a Natureza, usar o dinheiro e não ser usado por ele… e ainda sim saber de suas responsabilidades de adulto e cumpri-las. É possível sim viver em um mundo mais leve! Nem tudo é negócio!

Anderson Luiz

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