Jesus e a morte


“Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto.

Quem ama sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida nesse mundo preservá-la-á para a vida eterna.” (Jo 12:23-25)

A morte é um enigma! Todos morrem! Jesus como um “Filho do Homem” falou diversas vezes sobre a morte e sobre “a sua morte”, sem tristeza, angústia ou medo. Para ele, quando chegasse a “sua hora”, surgiria uma oportunidade de glorificação, de uma iluminação que já não poderia mais ser ofuscada por ninguém nessa terra. Essa era a hora esperada por ele, estava preparado para esse momento, foi enviado com essa certeza. Havia amadurecimento em sua pessoa em relação a “essa hora” que o levava a dialogar sobre a morte sem superstição, sem dor e sem medo. O seu discurso não era de que “morreria”, mas de que seria glorificado.

Usando uma parábola que tinha uma relação íntima naquela época com os agricultores, Jesus usa o grão de trigo que, segundo ele, precisa morrer para produzir muito fruto. Morrer para Jesus fazia parte do processo da vida e era necessário para a frutificação do Ser. Se queremos viver e viver bem, é preciso morrer intimamente todos os dias e matar nossos desejos internos de “preservação da vida”. Quem ama sua vida, quem tenta “preservar” a sua vida, morre! Nossos instintos animais de “preservação” da vida, são cheios de egoísmo, ambição, ódio e seguem a lógica da Lei da selva: o mais forte sempre “mata” o mais fraco. É nesse sentido que o “grão” fica só, tentando “preservar” sua própria vida. Não diz o dito que é “cada um por si e Deus por todos”? Esse é o instinto humano! Quem não faz morrer esse instinto, não vive! Quem “vive” nessa lógica está morrendo de medo de morrer e ser tragado pela morte. Esse tenta “preservar” a vida enquanto perde a vitalidade nessa luta de selva. Só quem faz morrer intimamente esses “instintos”, pode realmente “preservar” uma vida eterna, vida essa que se dá na paz e no descanso de algo que ninguém é capaz de matar: o espírito.

Algumas pessoas nasceram póstumas! Algumas pessoas nunca chegaram, nunca chegarão e nunca tiveram a intenção de chegar a ser “conhecidas” nessa terra. Em um mundo de “reis”, “rainhas”, “ladys” e “madonas”, “títulos” e “nomes de família”, a simplicidade é ofuscada pelo “glamour”. O “glamour” tem um certo ódio da simplicidade e dos simples e sempre busca matá-los! A posteridade revela aqueles que continuam, mesmo depois de mortos, a darem frutos. Sem preocupação em “preservar” a vida, o espírito de muitos ainda vive, e esses se assemelham a uma frondosa árvore que na Primavera da vida ou na melancolia do Inverno, está sobeja de frutos. Nasceram póstumos! Nasceram para ser lembrados na posteridade, na eternidade do Ser. Suas ideias e obras ainda falam. Foi assim com Jesus e muitos outros, e continuará sendo! E nós que estamos nessa terra, quais são os nossos frutos? O que ficará de nós para posteridade? Quais as obras que serão lembradas por aqueles que citarem nosso nome depois de chegada a “nossa hora”?

Anderson Luiz

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