Razão decapitada!


“O último esforço da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam.” (Blaise Pascal)

Ela nasceu há muito tempo atrás, mas seu reino foi estabelecido na Revolução Francesa. Chegou a ser objeto de culto, obteve o status de “deusa” e foi pintada em quadros que a retratavam semi-nua, segurando a bandeira da liberdade e chamando o povo a revolução. E ela venceu! Decapitou reis e rainhas, envergonhou sacerdotes e filósofos e gerou uma filha ainda mais poderosa: a Ciência. Em nome da Razão, muito sangue foi derramado mundo a fora! A razão produziu inúmeras guerras e esteve presente nos discursos mais tirânicos já presenciados pelo homem. É uma Senhora orgulhosa e insaciável. Em nome da Razão e da Lógica, muitos homens foram domesticados e escravizados! A Razão convence ao trabalho escravo, pois afinal, não se pode morrer de fome. A razão convence a guerra, pois é preciso defender e ter um “espaço vital” de sobrevivência. A razão convence de que um “crescimento econômico” é bom para o Brasil, sem se importar com os brasileiros. A razão é persuasiva!

O racionalismo elegeu a Razão como fonte do conhecimento. Enquanto a Razão for “fonte”, enquanto ela for “cabeça” do agir humano, e de qualquer outra coisa, o mundo será uma desgraça. Viveremos na filosofia de Platão que queria uma mundo dominado pelos “sábios”, pelos mais “experientes”, um mundo dividido entre “classes”, ligeiramente “racional”. A Razão ordena, organiza, ela deseja que tudo esteja “estruturado”, cada qual tenha sua função no corpo social, enquanto ela é a “cabeça”. Qualquer desajuste, qualquer desordem é vista como uma parte que precisa ser disciplinada ou extirpada. A Razão não pode ser “cabeça”! Ela deve estar no seu devido lugar! O ser humano é um “Todo”, onde cada parte tem a sua importância! Nenhuma mais importante do que a outra! Somos racionais, mas também somos sentimentais, espirituais, sensíveis, dotados de vontade, desejos e de forças. A vida não é racional somente, é um conjunto de fatores que dão vitalidade! Quem elegeu a Razão como cabeça? Quem rebaixou os sentimentos, a vontade e o espírito para a inferioridade? Quem dotou a lógica de poder para julgar o mundo? Platão? Devemos decapitar a Razão! Cortar a cabeça da Razão é agir racionalmente! Ela não pode dominar, é preciso dar liberdade para a Arte, para a espiritualidade, a intuição, o sentir humano… e dar lugar a plenitude humana. Destronar a Razão! Decapitar a Razão! E não deixar a sua filha chamada Ciência tomar o seu lugar.

Anderson Luiz

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