Buda no “Medida Certa”


“Na política de massas, dizer a verdade é uma necessidade política.” (Antonio Gramsci)

Por favor gordinhos e gordinhas não se ofendam! Escrevo esse texto como um repúdio a essa mídia que quer igualar a obesidade a falta de saúde. E por mim tanto faz a expressão gordo ou obeso. A palavra em si nada é e só se torna um problema se eu tiver problema com ela. Não tenho problemas com palavras e não quero ser do “politicamente correto”! Você se incomoda? Talvez se incomode por que deixou que sua mente fosse formatada por essa sociedade que rejeita quem não está na “medida certa”. Que medida certa? Agora querem até padronizar e disciplinar o nosso corpo? Já não basta a manipulação mental, agora é preciso disciplinar o corpo físico da população? Acho legal o incentivo a uma vida saudável, concordo que um certo sedentarismo faz mal, mas daí a querer taxar quem não está na “medida certa” como “doentes” já é sacanagem. É por isso que odeio novelas! Não, elas não são e nunca serão o reflexo da “vida real”! Não podemos ser “domesticados” a ter esse tipo de pensamento. Vida real é aquela que eu posso fazer acontecer com minhas próprias escolhas, independente das novelas. Não se aliene!

A História humana sempre foi repleta de gordinhos e gordinhas felizes. Quem os entristeceu ao ponto de se sentirem envergonhados? Quem acrescenta um fardo ainda mais pesado do que a vida humana já dá para que carreguem? Quem os mata com palavras, imagens e programas, ao ponto de os levarem a se adoecer para estar na “medida certa”? Na antiguidade, as deusas da fertilidade eram sempre gordinhas. Afrodite na Grécia e Vênus em Roma, a deusa sempre era retratada pelos renascentistas “fofinha” e com um ventre avantajado sem a menor sensação de “vergonha”. Vergonha de quê se a gordura sempre foi símbolo de fartura, riqueza, abundância e alegria? Veja “Papai Noel” se não é um símbolo da fartura, da riqueza capitalista e da abundância? Isso que escrevo não é um incentivo a obesidade, mas um repúdio a “ridicularização” que a mídia faz dos fora dessa padronização de “medida certa”. Não é incentivo por que em muitos casos, há doenças que precisam ser tratadas. Mais existem diferenças e diferenças, casos e casos… e isso eu deixo para os médicos especialistas no assunto.

No Xintoísmo e no Budismo oriental existe os chamados “sete deuses da boa sorte”. Todos eles representados como gordinhos felizes. Não que eu acredite em deuses e deusas, mas acho interessante os significados humanos e suas representações. Um desses deuses, chamado Hotei, é segundo o Budismo e Xintoísmo um “Buda gordo”, senhor da magnanimidade e da generosidade humana. Vive rindo, sempre de bom humor, e por isso traz saúde e felicidade, pois está sempre satisfeito com o que se tem. Dizem que ele tem recurso interior para todos os que precisam e seu abdômen avantajado não representa gula, mas é simbolo de satisfação plena. E por que no Ocidente o gordo é visto como símbolo de falta de saúde? Nossas definições ou as definições dos orientais são alguma coisa? Quem está certo e quem está errado? Tudo é relativo! Conheço gordinhos e gordinhas com saúde a dar e vender e magrinhos e magrinhas também e vice-versa. Muito relativo! Não existe “medida certa”! Existe sim uma “certa medida” de relatividade nesse mundo! Buda gordo nunca sentiria vontade de participar do “medida certa” no Fantástico e talvez diria para a mídia: “vai tomar na buda”.

 

Anderson Luiz

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