O homem domesticado


“Livres pensadores são aqueles que estão dispostos a usar suas mentes sem prejuízo e sem receio de entender as coisas que se chocam com seus próprios costumes, privilégios ou crenças. Este estado de espírito não é comum, mas é essencial para pensar direito.” (Leon Tolstoi)

O homem domesticado segue modismos.

O homem domesticado segue o fluxo sem perguntar aonde ele vai levar.

O homem domesticado se apaixona pelas beldades das propagandas de cerveja e esquece das verdadeiras mulheres que não fazem alardes.

O homem domesticado é induzido a comprar nas promoções e se endividar por atacado.

O homem domesticado só assiste ao jornal que manipula notícias e é convencido de que são verdades incontestáveis.

O homem domesticado não gosta de música, mas de ritmos de verão.

O homem domesticado vê novelas e justifica isso dizendo que elas são retratos da “vida real”.

O homem domesticado não sabe que o consumismo o consome.

O homem domesticado adora a “obsolescência programada”, por que ele também é programado para ter um tempo de utilidade conforme as conveniências do Mercado.

O homem domesticado adora brinquedinhos tecnológicos de última geração que ocupam o tempo que sua mente usaria para refletir.

O homem domesticado veste a camisa do trabalho e ri, pois não tem ideia do quanto é explorado e escravizado.

O homem domesticado acha que “todos precisam ter uma religião” e nunca parou para refletir na frase que diz ser “ a religião, o ópio do povo.”

O homem domesticado acha normal trabalhar em algo que não goste, pagar impostos altos, seguir leis de interesses escusos e fazer parte de uma padronização estrategicamente articulada.

O homem domesticado não tem saco para ler um livro, o máximo que faz é ler a vida dos outros nas redes sociais.

O homem domesticado trata com a política de uma maneira irônica e nem sabe que o preço do pão da padaria é uma questão política.

O homem domesticado tira sarro da sua própria miséria, respondendo aos estímulos televisivos que querem transformar a pobreza em uma doença contagiosa.

O homem domesticado é fisgado emocionalmente a ponto de torcer pelo bandido nos filmes e novelas.

O homem domesticado aplaude qualquer opinião idiota que qualquer apresentador de mente tacanha defende na TV.

O homem domesticado, como um cão adestrado, responde a estímulos e troca o osso por dinheiro a ponto de babar quando da sua posse.

O homem domesticado usa drogas que lhe causam letargia e torpor, apagando um fogo de revolta em seu interior, fogo esse que poderia mudar o mundo.

O homem domesticado aceita o mundo como é e não procura mudar o mundo verdadeiro que é o si mesmo.

O homem domesticado não tem consciência de ser um cidadão de direitos, um agente histórico e transformador de sua própria realidade e quem sabe da de outros.

Anderson Luiz

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