Ser em formação


“O que temos dentro de nós é o essencial para a felicidade humana.” (Arthur Schopenhauer)
Adoro as contradições do Ser humano! Isso é fascinante! Quando me dou conta de que não sou “formado” em nada nessa vida (apesar das “formações” educacionais), percebo essa dimensão tão perdida que é a de Ser humano. Cada formatura é um ciclo que não forma ninguém, apenas abre mais um espaço para o “novo”. E isso é extraordinariamente humano! Esse ser aberto ao conhecimento e nunca fechado, consciente de sua pequenez, relativizado em suas verdades, péssimo juiz do que seja “bem e mal”, precisa ser resgatado em cada um de nós. Nós crescemos, nossa vida é um processo e nunca algo pronto, acabado, formado… e entre nós sempre será assim. Quem nos seduziu a pretensão de saber? Quem mentiu ao homem para que ele se ache um deus na Terra?
“Não há saber mais e nem saber menos”, já dizia o célebre Paulo Freire. No mundo há diversos saberes! Cada um tem o seu de acordo com suas próprias experiências de vida. Eu posso conhecer um pouquinho mais de História do que um pescador, mas com certeza ele entenderá muito mais de pesca do que eu e terá muitas “histórias” de pescador para contar. Então, como se mede saberes? Não se mede! O saber não é acadêmico! Não pode ser medido a partir de dentro das Universidades! Saber é sabor, desse termo é que vem a palavra. Há diversos sabores na vida de acordo com a experiência de cada Ser e isso é maravilhoso! A diversidade humana me fascina! Por que fechar os ouvidos e achar (enganado) que conhece a verdade, a ponto de não ouvir o saber do outro? E é por isso que digo que algumas “verdades” sejam elas religiosas, científicas, filosóficas, são os piores venenos para o homem. Matam a essência humana!
Olhando para a história de Jesus de Nazaré apresentada nos evangelhos, é possível perceber que o próprio Cristo que a religião não deixa Ser humano, viveu essas contradições da “existência”. É só conferir e ver como ele “crescia em graça, estatura e sabedoria diante de Deus e dos homens”. Jesus não nasceu pronto, não nasceu consciente de sua missão… viveu como humano, morreu como humano. Sua vida foi um processo de aprendizagem, de abertura para o conhecimento de outras culturas ditas “pagãs”, recheada de emoções (choros, alegrias, entusiasmos etc.), saboreada por experiências ao lado de todo “tipo de gente”, desenhada por momentos festivos e decepcionantes, momentos de ira amorosa e amizades. Momentos de ficar “profundamente triste até a morte”, experimentar o “vinho novo” ao ponto de ser chamado pelos seus inimigos de “beberrão e comilão”, tudo isso fez parte do Ser humano que foi Jesus nessa Terra. Divinizaram demais o Mestre a ponto de matá-lo! E até hoje o fazem! Não que eu não creio em sua divindade (isso faz parte da minha Fé), eu creio e sempre cri. A questão que coloco tem relação com outra coisa, e nessa questão eu só espero que me entendam quem ainda não perdeu sua essência humana.

Anderson Luiz

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