Jesus e a questão do discernimento


“Por que vês tu o argueiro (cisco) no olho de teu irmão, porém não reparas na trave (viga de madeira) que está no teu próprio?

Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?

Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Mt 7:3-5)

Nenhuma pretensão há em querer fazer com que alguém enxergue aquilo que você mesmo está enxergando claramente. Não há pretensão e nem arrogância nenhuma nisso! Se você é capaz de discernir claramente o que cega as pessoas, é seu dever tentar ajudá-las a enxergar. O problema todo é a hipocrisia de quem ainda está cego e sem luz sobre uma determinada situação, e quer de alguma maneira julgar a cegueira do próximo. Jesus deixa bem claro que aquele que foi capaz de em si mesmo arrancar a trave do olho, pode assim enxergar e tirar o argueiro do seu companheiro. A questão é que quase não se entende essa parte.

Cada um de nós seres humanos, passamos experiências na vida que nos ensinam e iluminam o nosso caminhar e olhar para vida. Essas experiências nos fazem crescer e nos dão discernimento para saber qual o caminho e decisão tomar em determinadas situações vividas. E isso é maravilhoso! Quando alguém enfrenta a mesma dificuldade pela qual passamos, é louvável ajudá-lo com a nossa luz sobre essa dificuldade. E isso sem a pretensão de ser o “dono da verdade”. O problema é que muitos veem essa ajuda como arrogância, pretensão, altivez… e nem sempre é assim. É só uma questão de discernimento, de ver “claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão”, como disse o Mestre.

Existe uma grande confusão para entender sobre a palavra julgar. Quando se diz que não se deve julgar ninguém, o sentido que se quer passar é de que ninguém tem o poder para isso, mesmo por que esse “julgar” é uma questão de condenação. Ninguém é capaz de condenar ninguém, já que fazendo isso nos condenamos e revelamos nossa própria condenação. Mas existe um julgar que é fazer juízo das coisas, separar, acrisolar, discernir o que pode ser bom e o que pode não ser bom. Esse tipo de julgamento é louvável e não condenável! “Julgai todas as coisas, reter o que é bom” é tarefa de todo ser humano que preza pelo bom andamento de sua vida nessa Terra. É preciso discernir suas motivações, seu caminho, desejos, obras… e quando enxergar claramente, é possível ajudar a quem deseja enxergar. Aquele que é a luz que nos faz enxergar, Cristo, deu o exemplo. Agora, tudo é uma questão de discernimento para ver o quanto de trevas ainda resta em nós. Sendo assim, enxergue-se, e quando a demanda surgir e enxergar claramente, ajude o seu irmão nessa despretensiosa tarefa.

Anderson Luiz

Um comentário em “Jesus e a questão do discernimento

  1. Tudo que vemos em nós mesmos é nos que nos cercam é ofuscado pelo nosso ego. E é incrível como o ego tem a capacidade de desprezar a trave que há em meus olhos, mas enxergar o cisco que há nós olhos do meu semelhante. De enxergar a minha luz, mesmo sendo ela trevas. Mas um dia o nosso ele será removido, juntamente com as escamas que nos impedem de ver com clareza plena o que somos e o mundo que nos cerca:

    “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.”

    1 Coríntios 13:12

    Será doloroso nesse dia, se eu, ao olhar para trás, ver que tudo aquilo que fiz foi errado aos olhos daquele que me conhece plenamente desde agora.

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