A morte na era tecnológica


“A maior invenção do mundo não é a minha tecnologia! É a morte! Pois através dela, o velho sempre dará lugar para o novo!” (Steve Jobs)

A morte está mais “viva” do que nunca! Já foi o tempo em que morrer era quando o corpo perdia as funções vitais para o seu funcionamento. Hoje, a morte incorporou um papel mais requintando e moderno. Ela aprendeu com as novas tecnologias a “matar” de uma maneira até mais cruel de que em outros tempos. Na era das tecnologias, aquele que não tem o mínimo de acesso a elas (as tecnologias) está morto. Essa exclusão tecnológica pode ser constatada em uma rede social que insiste em ser o local de “ponto de encontro”, “convívio” e “socialização”. Quem não possui um perfil na rede, é como se não existisse.

É engraçado como nos dias de hoje nos esforçamos por estarmos “vivos”. Toda nossa movimentação nas redes sociais é um desejo inconsciente de se manter “vivo”. É preciso postar nossas atividades mais corriqueiras, mostrar aquelas não tão corriqueiras assim, esperar “curtidas” para medir o nível de minha popularidade, compartilhar minha vida resumida em frases e imagens e no fundo se manter “vivo”. Esse é o foco! A “vida” passou a ser viver em função de que os outros saibam como eu vivo… e de que estou “vivo”. Não posso morrer! Morrer hoje nas redes sociais excluindo o perfil é dolorido e insuportável.

Sem nos dar conta, as redes sociais nos dão o poder de fazer “viver” e de “matar” tecnologicamente aquele que bem quisermos. Quando “aceitamos” alguém em nosso círculo de “amigos” ou “conhecidos”, nós acabamos por dar vida e certo “espaço vital” para que aquela pessoa possa respirar “nossos ares”. O poder de negar acesso de uma pessoa ao compartilhamento de minha vida e o poder de “excluir” quando assim quiser essa pessoa do meu círculo e rede de contatos, é uma simulação de nosso desejo de fazer morrer e matar todo aquele que não curti e compartilha nossa vida. A morte chega desse jeito a milhões de pessoas que são excluídas dos meios tecnológicos, além daquelas que “eliminamos” e “excluímos” decretando suas “mortes”, já que sua vida não nos interessa nem um pouco. E assim caminha a humanidade…

Anderson Luiz

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