Jesus e o silêncio


“E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.

Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem?

Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.” (Mt. 27:12 à 14)

Aprendemos na vida que bons argumentos e uma boa oratória são essenciais em todas as questões em que estamos em conflito. Não é sempre assim! Apesar da inteligência fenomenal de Jesus, aliada a uma oratória de causar inveja nos grandes ditadores, o Mestre em certos momentos prefere ficar calado. Um silêncio “gritante” e incômodo, capaz de causar “admiração” nos “poderosos”. O Mestre tinha bons argumentos para responder a pergunta de Pilatos. O Mestre possuía uma mente brilhante capaz de responder com eloquência. Poderia citar mais uma de suas parábolas. Poderia tentar convencê-los… e certamente tinha boas razões para fazer isso. Mas ele resolveu ficar calado. Não gastaria energia em discussões com quem já ia para uma discussão “cheio de razão” pela posição que ocupa. Naquele contexto, o que teria para apresentar um carpinteiro diante de um sacerdote, um ancião e um governador?

Que argumento pode influenciar alguém que se vê como um “superior”? Que boa oratória seduz aquele que já tem sua sentença a dar? Discussões sadias só produzem fruto quando todos tem a consciência de que ninguém é superior a ninguém. No momento em que em uma discussão ou debate, a altivez do olhar faz parte, é melhor se calar. O silêncio que ignora é a melhor resposta diante daquele que “se acha”. É melhor guardar toda energia para algo mais útil! Jesus sabia que ele era um pecador e blasfemo na cabeça dos principais sacerdotes que se achavam santos e moralmente obedientes aos mandamentos. Como argumentar diante de uma mente que pensava assim? Jesus sabia que para os anciãos ele era um transgressor das leis e merecia a morte, enquanto os mesmos se achavam os únicos filhos de Moisés e guardiões da Torah. Como convencê-los da sua pequenez de espírito com palavras? Jesus sabia que Pilatos era político, e como todo político, o poder lhe dava a sensação de ter nas mãos a vida e a morte. Que oratória livraria ele dessa casta maldita e dessa sina diabólica? O Mestre nos ensina que o silêncio é eloquente deveras em situações parecidas. Não há justificativas a dar quando já está condenado pelo olhar de quem “se acha”.

Anderson Luiz

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