Sobre o pânico


“Ensine seus filhos a fazer do palco da sua mente um teatro de alegria, e não um palco de terror.” (Augusto Cury)

Pan era um deus na mitologia grega que causava espanto e aterrorizava os caminhantes. Pan era feio… metade homem, metade bode. De Pan veio o termo pânico dos tempos modernos. O terror é uma sentença de Pan para os dias de hoje! O terror moderno também tem causa em outros “demônios”, os mais aterrorizantes e espantosos, como o medo da fome, da miséria, do caos, do terrorismo, do preconceito, da falência, da guerra, das pestes, da morte e do inferno, etc. Choro e ranger de dentes com a expectativa de coisas que sobrevirão, anunciadas pelos “profetas” da desgraça. Acredito que nunca antes o medo tenha reinado em nosso meio como nos dias atuais. Talvez na Idade Média com seu medo do diabo e do inferno.

Há fatalistas em todo o lugar! Andam com medo do Comunismo, de uma invasão bolivariana, do Terrorismo crescente, da crise financeira… sem dúvida há inúmeros motivos para alegar o pânico. A iminência de falta de luz e água, guerras civis, aumento do consumo de drogas, crises políticas, corrupção incessante, sexualização infantil crescente, são fatos mais que comprovados no cotidiano de todo cidadão do mundo. A certeza que alguns tem é de que pode ficar pior! Mas há também um certo exagero! Logo após descobrirmos que estamos em um “Big Brother” sendo vigiados em todos os lugares, a sensação que as câmeras, os flagrantes e os flashes nos deram é de que o “outro” é sempre um inimigo perigoso. O jornalismo urubu dispensa a boa nova e se concentra em carne podre. O whatsapp atesta a nossa idiotice e emburrece com vídeos e notícias que não são capazes de acrescentar um til de informação útil sem gerar pânico. As novelas aterrorizam mentindo que retratam a “vida real”, e o povo acredita que não é o ator de sua própria vida atestando essa mentira. A criminalização da pobreza é o espetáculo de quem se acha um “abençoado” e “escolhido” por não morar na favela. Na TV é sempre a mesma novela: pânico e terror, todos comendo todos, a miséria como motivo de chacota e humilhação, ou como motivo de pena para um apresentador que se “sensibiliza” e ajuda aos “desgraçados”.

Paulo Freire já dizia que não se pode aceitar essa realidade posta e tida como “acabada”. Ele dizia que somos nós quem construímos a nossa realidade e se recusava em sua rebeldia aquiescer terminantemente ante esse fatalismo. Não há terror que sobreviva diante de uma consciência pacificada! Não há fatalismo que alcance uma mansuetude fruto de um espírito consciente de que a realidade depende de um olhar bom …ou mau. Se o olhar para o mundo for bom, a luz que está em nós supera as trevas que uma falta de luz traz. Se o olhar para o mundo for mal, haverá terror, escuridão, insensatez, fatalismos (diferente de fatalidade) e toda sorte de pânicos e espantos possíveis e impossíveis emanando de dentro do coração humano. A realidade é dura, mas não é petrificada! Aliás, até as pedras se furam com água, como diz no dito popular! A realidade só depende do nosso olhar para com ela e do fruto de nossa ação, reflexo desse olhar!

Anderson Luiz

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