Jesus e o aprendizado


“Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.”

“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lucas 2:49 e 52)

Jesus não nasceu pronto! Essa frase revela um engano há muito encoberto pela religião: o engano de não perceber que Jesus também aprendeu com os homens. Mesmo sendo Deus para aquele que assim crê, ele se esvaziou de si mesmo para crescer em estatura, graça e aprendizado diante dos homens e de Deus. Somente vazio, foi possível que o Mestre se “enchesse de sabedoria” e aprendesse com os homens e com o mundo. Era preciso viver e sentir o que o homem sentia, para que ele fosse o “elo perdido” de ligação com o divino. Então era preciso crescer em aprendizado, era preciso buscar conhecimento e sabedoria. Não diferente de um homem comum, Jesus não nasceu pronto, ele não veio ao mundo formado e sua postura para com o mundo era de abertura para o novo, para o aprendizado. É certo que sua inteligência era tamanha a ponto de quando criança já demonstrar uma sabedoria incrível. Mas é preciso entender que Jesus nasceu em um contexto de muitos preconceitos e à medida que crescia em sabedoria divina e humana, rompia barreiras e superava superstições com uma agudez e perspicácia intelectual digna de um Mestre.

A sabedoria de Jesus era prática, real… não distante como a dos metafísicos. Em suas parábolas, o ensino do Mestre era baseado no conhecimento comum do povo. Exemplos da agricultura, de instrumentos de pesca como a rede, de hortaliças da época, enriqueciam suas lições e eram entendidas por muitos acostumados com aquela realidade cotidiana. Ainda que sua postura era de abertura para sabedoria e para o conhecimento, Jesus sofreu a influência do “zeitgeist” de sua época. O espírito de seu tempo, arraigado em sua cultura judia o fazia resistir aos gentios (povos não judeus). Foi com surpresa e humilde aprendizado que Jesus se abriu para perceber a fé de um centurião romano (Lucas 7:9). Foi influenciado por sua cultura que ele resistiu a um pedido de uma mulher siro-fenícia, mas aprendendo com a fé e insistência dela abriu a sua mente para se desfazer dos preconceitos de uma época, preconceito até então arraigado de que os judeus eram vistos como filhos de Deus e os gentios “cachorrinhos” (Mateus 15:21 a 28). Antes de ser Mestre, Jesus foi um aprendiz! Possivelmente era conhecedor da cultura greco-romana, e um exímio estudante da cultura judaica. Crescia em estatura como ampliava sua capacidade mental. Crescia em graça diante dos homens e de Deus, da mesma maneira que se abria para o conhecimento da época. Jesus não era engessado, fechado para o mundo e nem soberbo ao ponto de se sentir cheio, pleno, formado. Era um aprendiz que se tornou Mestre a ponto de dizer na hora e no momento exato: Feito está! Está consumado!

Anderson Luiz

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