Sede de sangue


“Sacrifício não significa nem amputação nem penitência. (…) Ele é uma oferta de nós próprios ao Ser a que recorremos.” (Antoine de Saint-Exupéry)

De onde vem nossa insaciável sede de sangue? É incrível a nossa fome de carniça! Nossos instintos mais animalescos nos convoca a essa caça predatória e selvagem de tudo aquilo que revela fraqueza, dor, vida que se esvai pelo sangue, pelo medo, pelo aterrorizante, pela matança indiscriminada. Dizem que “sacrifícios devem ser feitos” e aceitamos sem resignação. Em um mundo de lutas selvagens e sanguinolentas, nos deleitamos nesse espetáculo. O sangue nos octógonos é sinal de que a luta foi boa. O espetáculo sanguinário está também nos noticiários que apresentam mortes, amputações, atropelamentos, doenças e matanças das mais vis às mais naturais. Deleite humano em um dia sem graça! O jornalismo urubu sabe que sangue vende! Sangue é moeda de troca, pacto que prende a curiosidade do espectador! Queremos sangue nas entrelinhas, desejamos sangue subliminarmente! Somos vampiros?

A Terra clama o sangue de todos os inocentes desde Abel. Um dia a justiça terá a sua paga! Enquanto isso não ocorre, o ser humano tenta amenizar a sua culpa sangrando “bodes expiatórios”, transferindo suas culpas. Vermelho é a cor do sangue e da expiação! Sangue de bodes, de galinhas e até sangue humano é derramado para aplacar a ira momentânea dos Exus das religiões primitivas. Transferência simbólica de culpa, de medo e de dívidas a pagar, para seres indefesos e inocentes. Nossos smartphones são captadores do sangue que se esvai. Toda desgraça diante dos olhos é captada por vídeos e fotos. Bebemos sangue a cada compartilhamento da dor, da fraqueza, da morte… qual o sentido?

Um justo derramou o seu sangue um dia para que com o seu sacrifício, todos os demais se tornassem obsoletos! Nesse sacrifício, o escrito que havia contra nós mesmos, cravado na nossa consciência, escrito esse de culpas, de dívidas que não se pagam nunca, foi rasgado. Toda condenação que simbolicamente tentamos transferir aos outros, já não é, nunca foi e só continua sendo se assim quisermos. A Fé no sangue do Cristo é libertadora, pois ele é o “cordeiro de Deus” que tira a consciência da culpa que gera o medo e a condenação. A Fé é simples e ela  livra de sacrifícios obsoletos. O nascido da Fé, tem sede e fome, mas não de sangue e sim de justiça. Na Fé se tem a consciência de que todo ato falho há de se gerar uma consequência, mas  essa consequência não te condena para o resto da vida e nem retém a sua culpa para sempre. Nada que façamos por si mesmos nos livra da culpa! Alguém um dia já fez isso de uma vez por todas! É só crer!

Anderson Luiz

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