Além do olhar


“Os piores escravos são aqueles que estão constantemente servindo as paixões.” (Diógenes)

É certo que olhamos e nem sempre observamos! Vemos, mas não descortinamos as entrelinhas, não nos detemos nos detalhes, não trazemos a luz o mistério. Nossos sentidos estão intoxicados com o mais nocivo tóxico? O que é a “realidade”? É essa certeza palpável diante dos olhos? Nosso olhar está embotado com impressões da vida, experiências solitárias que tivemos e que nos fizeram construir nossas verdades? Falando em verdades, quem conhece a “verdade” como ela é de fato? Me diga, quem? E nosso tato calejado com nosso trabalho e nossa própria maneira de trabalhar? É a única? Por que não vemos além dos olhos? Por que não nos comunicamos além de palavras? Qual a barreira que nos impede de ir além da razão? Que tampa cobre os ouvidos que não ouvem a música do Universo? Cegos, guias de cegos! Nós, seres humanos!

Talvez tenha chegado a hora de “acordarmos” para além da “realidade”! Existe inteligência nos sonhos, no “sexto sentido”, nas premonições? Nossa “realidade” é única ou podemos crer em dimensões, universos paralelos como quer a física quântica? Somos um saco de carne ou existe uma energia em nós que não se perde, mas se transforma sempre? Talvez seja hora de valorizarmos mais a reflexão em um mundo onde as pessoas são a extensão de suas máquinas, de seus smartphones e de seus computadores. Talvez devemos aprender com budistas a arte da meditação em um mundo pragmático e capitalista, que exclui aqueles que não “produzem” nada, segundo a lógica desse “espírito” do mundo. Talvez a espiritualidade seja levada mais a sério, quando o homem se der conta de sua automatização, ou quando ele se ver como pedra bruta, sem cérebro e sem coração. E o amor? É mesmo um sentimento banalizado, inspiração de músicas e algo da moda como essa corriqueira declaração de “existir diversas formas de amor”? Ou seria o amor esse espírito universal que a todos une, a todos quebranta e a todos enche do mais perfeito sentimento (se é que seja um sentimento) experimentado entre nós? Já que usei o termo “espírito”, será primitivo acreditar nessa energia que a chamada Ciência nega? Drogas e mais drogas, e as portas da percepção ainda estão fechadas! Ninguém prescruta o oculto, ninguém se quer mexe em dogmas, as crenças estão aí e pronto! Além do olhar talvez um dia enxergaremos a verdade! Enquanto isso não acontece, saio as ruas como o filósofo Diógenes com uma lanterna na mão procurando um homem em sua essência. No meu caso, procuro um homem que diga e me convença de que conhece toda a “verdade”! Eu sei, sou uma mistura de cético com uma pitada de transcendentalismo!

Anderson Luiz

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