Em cima do muro


“O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove.” (Fernado Sabino)

Não dá para viver em cima do muro! Ninguém vive de fato em cima do muro! Por vezes, temporariamente, subir no muro, observar os dois lados até decidir em qual lado ficar, faz parte da vida. De cima do muro se tem uma posição privilegiada para ver e analisar tudo ao derredor, mas até quando? É preciso caminhar, tomar posição, escolher a direção em que se vai, ainda que essa direção seja pelo caminho do meio. Não, o caminho do meio não equivale ao estar em cima do muro. São propostas diferentes! O caminho do meio é de movimento em direção ao equilíbrio, a sensatez, a justiça… é uma escolha consciente e uma tomada de posição. Já permanecer em cima do muro é se negar a caminhar mesmo que o caminho esteja cheio de ciladas e armadilhas ou cheio de prêmios. Estar em cima do muro é eleger a inércia como escolha de vida, a apatia como opção e a covardia como postura diante do mundo. Uns vão pela direita, outros pela esquerda, mas o que fica em cima do muro nunca chegará a lugar nenhum.

Em um mundo cada vez mais “polarizado”, como humanos que somos, (e não estamos por causa disso acima do “bem e do mal”) em certos momentos somos obrigados a fazer escolhas. Em certas horas, é preciso definir bem as nossas opiniões e essas devem condizer com nossas atitudes. Questões humanas, sejam elas tabus, ideologias, crenças, gostos… ensejam posições. É importante ter uma opinião formada sobre assuntos em pauta, ainda que essas opiniões mudem com o tempo (o que também é extremamente importante). Não dá mais para viver com medo de se expressar, ainda que o que se expressa não é unanimidade. Não dá mais para se acovardar diante de um mundo que cobra posições, quando se tem uma resposta sensata, equilibrada e que não tinha sido vista por um outro ângulo. É preciso coragem para assumir suas escolhas, sejam elas equivocadas ou não. Ficar em cima do muro com medo de ser mal visto, mal interpretado, é covardia. Ainda que se engane, ainda que esteja errado, é tomando posição que se terá a maior chance de conhecer e saber que a escolha feita foi equivocada. Um tempo em cima do muro é necessário, como foi dito, para refletir, analisar, medir a distância, observar os fluxos, apontar a direção, olhar todos os ângulos, mas esse tempo tem que acabar para que na inércia não se venha passar pela vida como um covarde. E depois de escolher, é preciso aprender a viver com as consequências da escolha feita, sem terceirizar culpas e sem criar desculpas.

Anderson Luiz

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