Jesus, o discreto


“Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.” (João 6:15)

Por onde passava o Mestre arrebatava uma multidão de admiradores. Sua mensagem original, seu jeito de falar como quem tinha domínio e experiência no que falava, era diferente dos discursos religiosos e políticos de sua época. Diferente dos ostentadores de títulos, riquezas e “conhecimentos de Deus”, o Mestre era discreto. O Cristo dispensava holofotes e se retirava toda vez em que pressentia que a multidão poderia estragar o seu ego. Não há nada mais perigoso do que aquele sentimento de se achar o “rei-da-cocada-preta” como se diz no jargão popular. A multidão o queria por rei! E ele fugiu, sozinho, e foi para um monte. Fugiu da ostentação!

Quando curava um enfermo, Jesus dizia ao curado que a ninguém o dissesse (Lucas 5:14). Sua discrição era acompanhada de um equilíbrio que queria preservar a intimidade das pessoas e não expô-las. Diferente dos dias de hoje, Jesus não expunha ninguém ao ridículo, ele não usava da dor e do sofrimento alheio para chamar atenção para si. Suas obras manifestas tinham tão somente o propósito de revelar seu Pai e conscientizar a todos de que um governo de Deus estava posto. Um governo de paz, de vida, de cura, de arrependimento, de libertação, de humildade e esperança. Sem alardes, sem gritarias, sem espetáculos e pirotecnias de show business, era anunciado a boa notícia de Deus entre os homens. Muito diferente dos oportunistas daquela época e de hoje, o Mestre não se aproveitava da fraqueza humana e de suas desgraças para vender sua mensagem. Hoje se vende religião apelando para prosperidade, cura e vitória, persuadindo assim os fracos de entendimento. Vendilhões e estelionatários usando o nome “Jesus” (que é somente um nome vago se não vier acompanhado do espírito do Cristo), estão a propagar um “disangelho” (“má nova”) ostentador, cheio de luxúria e desprezível. Homens que se gabam de “poder”, “unção” e “bençãos”, ostentando bens, produzindo discursos de medo, usando a língua para honrarem a si mesmos com seus títulos de refugo, enquanto se distanciam na medida de um buraco negro do “espírito do Cristo” e se aproximam na velocidade da luz de um “espírito anticristo”. Jesus tem muito a nos ensinar e seu espírito com discrição nos vai convencendo do quão inútil é se orgulhar e ostentar qualquer sentimento de superioridade, seja ele qual for.

Anderson Luiz

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