Capítulo 1 – Superando o determinismo


ÍNDICE

 CAPÍTULO 1 – SUPERANDO O DETERMINISMO

CAPÍTULO 2 – A PERSONIFICAÇÃO DO MAL

CAPÍTULO 3 – O DIABO E SEUS ANJOS

CAPÍTULO 4 – A MILÍCIA CELESTIAL

CAPÍTULO 5 – OS QUATRO ANIMAIS DA VISÃO DE DANIEL

CAPÍTULO 6 – OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE

CAPÍTULO 7 – CARACTERÍSTICAS DO FALSO CRISTO

CAPÍTULO 8 – CARACTERÍSTICAS DO USURPADOR

CAPÍTULO 9 – CARACTERÍSTICAS DO ANTICRISTO

CAPÍTULO 10 – CARACTERÍSTICAS DO FALSO PROFETA

CAPÍTULO 11 – CARACTERÍSTICAS DO ABOMINÁVEL DA DESOLAÇÃO

CAPÍTULO 12 – OS DEUSES DAS NAÇÕES

CAPÍTULO 13 – 2017: UM CALENDÁRIO JÁ DETERMINADO?

CAPÍTULO 14 – O INÍCIO DO FIM NA VISÃO DE DANIEL

CAPÍTULO 15 – A SEGUNDA VINDA DO CRISTO ETERNO

 

Livro: Chaves que interpretam profecias

CAPÍTULO 1 – Superando o determinismo

 Se alguém tem ouvidos, ouça. Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a paciência e a fé dos santos. (Apocalipse 13:9e10)

Há uma lei que opera no Universo e que vem regendo a todos nós! Essa lei universal será uma das bases desse estudo. Ela pode ser chamada de “lei da reciprocidade”, “lei da ação e reação”, “lei da atração” ou mesmo “lei da causa e do efeito”. Essa lei, que é uma lei da física, tem efeitos no inconsciente coletivo humano, e por sua vez, nas ações humanas! A descoberta pela ciência dessa lei universal de “causa e efeito”, que já havia sido materializada desde os primórdios em partes de leis humanas como o “código de Hamurabi” e as “leis de Moisés”, só testificou o que inconscientemente a humanidade já conhecia. “Olho por olho, dente por dente”, ação e reação, um ciclo vicioso que tem relação com a crença determinista. O determinismo é a crença de que tudo já está determinado e estabelecido, e a liberdade não passa de uma ilusão. É um sistema fechado no qual tudo acontece por conta de causas anteriores, tornando os efeitos que se seguem destas causas, necessários e inevitáveis.

A tese filosófica do determinismo é assim enunciada: as leis da matéria e do movimento são universais, e, segundo elas, o estado da totalidade do que existe no mundo em certo instante determina exatamente o que acontecerá em seguida. Resumindo, tudo estaria escrito nos dados de um único instante. Esta doutrina, inicialmente científica, acabou impregnando as mentalidades, nelas imprimindo uma representação das leis da natureza como se fossem regras infalíveis, governando mecanismos implacáveis.

Acontece que hoje em dia o determinismo está com as asas amarradas. Saiu completamente dos trilhos no nível dos átomos, por causa dos fenômenos quânticos. Sua capacidade de prever também pode revelar-se ilusória, às vezes inclusive naquelas questões em que são válidas as leis de Newton. (CHARPAK,; OMNÈS, 2007, p. 58)

Sobre a terceira lei de Newton citada anteriormente, se diz que toda a força que um corpo recebe é consequência da força que ele aplicou. Os cientistas Georges Charpak e Roland Omnès, sustentam que as leis quânticas se contrapõem a essa lei, ao determinismo dessa “causa e efeito”, já “que dão livre curso às possibilidades” (CHARPAK,; OMNÈS, 2007, p.113). Nesse sentido, alguns cientistas creem ter na física quântica uma grande oportunidade de explicar que nem tudo está determinado, nem tudo é efeito de alguma causa e que existem leis que abrem as possibilidades da vida ao acaso. E isso tem se refletido em discussões filosóficas sobre a liberdade humana. Mas esse é um assunto que discorreremos mais adiante, nos concentrando por hora na “lei da ação e reação” ou “lei de causa e efeito” e seus desdobramentos na vida humana.

Desde tempos remotos, Caim acreditou que o Altíssimo o recompensaria na medida de suas obras humanas (Gênesis 4:3a5). Seria Caim um adepto inconsciente da “lei da ação e reação”, da “causa e do efeito”? Sobre essa lei, o Cristo do Altíssimo alertou Pedro quando “…disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mateus 26:52). Essa é a “lei da ação e reação”, lei essa que o Cristo Jesus também citou em seus diálogos, porém revelou novas possibilidades para a vida humana através da operação de milagres e de um ensino que buscava superar todo determinismo de “causa e efeito” impregnado na mentalidade do mundo. Não seria o milagre uma grande força do “acaso”? Não seria o milagre a superação de uma situação determinista? A palavra “acaso” vem do latim “a casu” que quer dizer “sem causa”. Para o judeu, há muito condicionado pela “lei da ação e reação”, tudo tinha uma causa e o ensino de outra lei da vida, “o acaso”, era uma grande ameaça (Mt 5:38a42).

O reflexo dessa lei do Universo no mundo acabou fazendo com que o homem a use como medida na sua relação com Deus. O judeu sempre acreditou que cumprindo leis, ritos e tradições humanas, seria justificado diante do Altíssimo, crendo numa reação justa as suas ações. Isso não passa de uma projeção das relações humanas nas relações entre o homem e Deus. Isso vigorou e ainda vigora, entre homens e homens, nas recompensas, nas trocas e reciprocidades (ainda que nem todas sejam justas). Mas será que vigora entre homens e Deus? Sobre esse assunto, em relação à justificação perante o Altíssimo por meio de obediências a leis e obras da lei (de Moisés), Paulo adverte que…

Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; (Gálatas 3:10a13)

Nesse texto podemos tirar várias lições que nos nortearão até o fim desse trabalho. O que significa dizer que aqueles “que são das obras da lei estão debaixo de maldição”? Teria isso relação com a mentalidade condicionada pelo determinismo, que não se abre a possibilidade do acaso, dos milagres e da fé? Ninguém será justificado (reação) diante de Deus por obras (ação), porque “o justo viverá pela fé” (Habacuque 2:4) e fé naquele que é o “autor e consumador dela”, Cristo (Hebreus 12:2). Cristo é o milagre de Deus, o “ponto fora da curva”, a possibilidade fora do ciclo vicioso e determinista da “lei de causa e efeito”. Cristo é a graça do Altíssimo concedida a nós, graça que por sua vez é um “favor imerecido”, uma recompensa sem causa que a antecede! Nesse contexto, o “estar em maldição” significa que ninguém consegue cumprir toda a lei, e aqui falamos da lei com suas centenas de regras descritas nas Escrituras que desembocam numa mentalidade de “ação (obras) e reação (justificação diante de Deus)”. Não há mérito na justificação diante de Deus! Por isso o milagre é a fé, a expressão de novas possibilidades além de “causas e efeitos”.

O homem que se submete inteiramente a “lei da ação e reação”, da antiga regra do “olho por olho e dente por dente”, viverá e morrerá regido por essa lei. Quem da “espada lança mão, da espada morrerá” (Mateus 26:52) e quem “julgar o próximo será julgado na mesma medida” (Mateus 7:1e2)! Colher sempre o que semeia (Gálatas 6:7a9)! E apesar de ser uma lei do Universo, ela não explica tudo quando nós nos abrimos as oportunidades do “acaso”. Viver alienado do acaso, da fé, da possibilidade de milagres e da graça divina, é viver na escravidão de um sistema de “causas e efeitos” que tem pouca relação com a liberdade proposta pelo Filho do Altíssimo, que segundo Paulo, “nos resgatou da maldição da lei”. A maldição se dá quando não vemos possibilidades fora da bolha determinista, fora de uma “ação” nossa. Tendemos a ficar esperando castigos por erros que cometemos, ou recompensas, por boas ações que fazemos. O que Cristo disse ao malfeitor que estava ao seu lado na cruz, é a superação desse ciclo de recompensas que vigorava e ainda vigora na mentalidade humana. A possibilidade do milagre! A possibilidade do impossível para os homens! A possibilidade de superação ao determinismo!

Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23:39a43).

“Recebemos o castigo (efeito) que os nossos atos (causa) merecem”, foi a palavra do malfeitor, reflexo da mentalidade judia e reflexo da mentalidade de nossos dias também. Em outro relato, Cristo foi questionado sobre a causa, cujo efeito sobre um homem, uma cegueira de nascença, julgavam (os discípulos) ser fruto de “pecado”. O homem estaria cego “por causa dos seus pecados ou por causa dos pecados de seus pais?”, perguntaram os discípulos. “Nem uma coisa nem outra”, disse Jesus, “mas para nele se mostrar o poder de Deus”. Cristo opera um milagre curando o cego (João 9:1a3). Veja como a mentalidade da população estava impregnada dessa “lei de causa e efeito” e de um conceito de justiça deturpado.

A “justiça”, tal como a conhecemos é uma construção humana! O termo justiça (do latim iustitia), de maneira simples, diz respeito à igualdade de todos os cidadãos. Na história humana, o homem sempre buscou a justiça. O rei babilônico Hamurabi, quando de acordo com o mito, recebeu as leis que ficaram conhecidas como “códigos de Hamurabi” das mãos do “deus” Shamash, foi o primeiro homem que se tem o registro a tentar colocar em prática o termo justiça. O código de Hamurabi foi a base de toda a justiça humana elaborada em leis. O “olho por olho e dente por dente” da “lei de Moisés” das Escrituras, segundo a História, teve inspiração no código de Hamurabi. E daí todos os códigos e leis se inspiraram. A “lei da reciprocidade”, que no Direito faz com que todo o delito tenha a sua pena (que é graduada pelo tamanho e gravidade do delito), não pode ser usada quando o assunto se trata de nossa justificação diante do Altíssimo. Se assim for, quem se justifica? Nem pode ser usada para explicar tudo na vida! O acaso também é explicação!

Na “plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei” (Gálatas 4:4). Essa mesma lei, que para cada purificação de pecados, exigia sacrifícios de sangue, e para uma parcial justificação, exigia cumprimento de leis (lei da ação e reação), nos serviu de tutor para “nos conduzir a Cristo” (Gálatas 3:23a25) e se fez necessária até a manifestação da graça e completa misericórdia divina. O Cristo enviado pelo Altíssimo, seu próprio filho chamado Jesus, “nos resgatou da maldição da lei” quando disse antes de expirar e morrer: “está consumado” (João 19:30).

A “lei da ação e reação” é um “mal necessário” que não é capaz de nos redimir (em relação ao Altíssimo e também em relação as nossas culpas) e que tem sua plenitude na fé da justiça de Cristo. O Cristo do Altíssimo não veio destruir e nem suprimir a lei que nos colocava sob maldição (Mateus 5:17e18), mesmo por que quem continua “lançando mão da espada, da espada morrerá”. Ele simplesmente abriu a oportunidade de nos libertarmos dessa escravidão e maldição, nos fazendo enxergar outra possibilidade do lado de fora desse ciclo vicioso. Ele resume bem isso dizendo aos seus conterrâneos que “tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus 7:12), ou seja, isso é humano e resumo da “lei de causas e efeitos”. Mas se a humanidade quer entender o Altíssimo “que faz vir chuva e sol sobre justos e injustos” (Mateus 5:45), e usa de misericórdia com quem aparentemente não merece (Lucas 15:11a32), deve superar a “lei da ação e reação” na mente (Mateus 5:43a48).

Há outra lei com reflexo na vida humana! Em relação à confiança depositada em ídolos e deuses, o Altíssimo vaticina que os homens “tornem-se semelhantes a eles (aos ídolos e deuses) os que os fazem e quantos neles confiam” (Salmo 115:8). É a “lei do vir-a-ser”, tornar-se aquilo que se adora e aquele em quem se confia. Essa é uma das chaves que usaremos para interpretar as características de homens, cuja aparição futura foi descrita por profetas.

O ser humano se torna semelhante àquilo em que ele deposita sua confiança. É o princípio que se dá na frase conhecida: “filho de peixe, peixinho é” e “tal pai, tal filho”. O ser humano se transforma a semelhança dos senhores que elege para governá-lo! Acredita-se que se o ódio nos domina, deixaremos que ele nos molde da pior maneira possível nos tornando seres odiosos e filhos do ódio (um derivado da “lei de causa e efeito”). Esse foi o alerta do Altíssimo a Caim, quando disse que “…o pecado jaz a porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (Gênesis 4:7). É também o chamado efeito “bumerangue”! Um desejo que se volta contra si, “um feitiço que se volta contra o feiticeiro”.

Nossos ídolos (materiais e conceituais) e “deuses” são capazes de nos transformar neles, como um pai influencia na formação de um filho. Fomos criados imagem e semelhança do Altíssimo (Gênesis 1:27), mas o pecado nos separou no princípio dessa paternidade. As Escrituras relatam que por causa do pecado passamos a ser por natureza “filhos da ira” (Efésios 2:1a3). E o que isso significa? Estávamos debaixo de uma “maldição”, porque a “natureza humana” se inclina para servir a ira, ao mesmo sentimento de ódio e inimizade ao Altíssimo que dominou Caim. Paulo complementa esse raciocínio em uma carta escrita aos membros de uma comunidade que existia em Gálatas, a respeito de Cristo:

E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. (Efésios 2:1a3)

Estávamos determinados a sermos, por natureza, “filhos da ira”. Cristo para sempre nos livrou do determinismo! Cristo também morreu para que fossemos feitos “nova criatura” (II Coríntios 5:17a19), um novo homem para reinar em um novo modelo de humanidade, o “Reino de Deus”. Foi necessário redimir a natureza humana, pois ela se encontrava debaixo de maldição. Cada um seguindo o “curso desse mundo” como filhos da “potestade do ar”, como “filhos da desobediência e da ira”. Pela fé nos libertamos dessa filiação diabólica, porque o Altíssimo “nos dá o poder de sermos feitos filhos Dele” (João 1:12e13). O caminho a percorrer desde a encarnação do Filho no mundo (João 1:14), é o de se tornar semelhante ao Cristo encarnado. De “vir-a-ser” um pequeno cristo, irmão do “Cristo maior” do Altíssimo e membro da irmandade terrena que se reconhece pela mesma paternidade e pelo vínculo do amor (João 13:34e35). “Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.” (João 3:36)

Paulo certamente conhecia essa “lei do vir-a-ser” revelada pelo salmista. E o que significa ser “filho da ira” nos relatos de Paulo? O que significa essa “ira” permanecer sobre aquele que rejeita Cristo? Em uma passagem no que se convém chamar de Antigo Testamento, é dito que a “ira de Deus” incitou a Davi a levantar o censo de Israel (II Samuel 24:1). Numa passagem correlata de outro livro do Antigo Testamento, o termo “ira de Deus” é substituído pelo termo “Satanás” que significa opositor, obstáculo, inimigo (I Crônicas 21:1). A “ira de Deus” é o diabo? É o que a Escritura deixa claro! Daí se infere que o que Paulo queria dizer claramente com “éramos por natureza filhos da ira”, tem relação com sermos “filhos do diabo”. Permanecer na “ira” é permanecer sob o jugo diabólico! E isso não tem nada de novo em relação ao que Cristo disse em relação aos fariseus (João 8:44). Segundo nossas inclinações (entenda-se também confiança, adoração e subserviência), nos tornamos inimigos, filhos da desobediência em relação ao Altíssimo, segundo o Apóstolo. Tornamo-nos “pequenos diabos” nesse mundo (João 6:70). E o diabo realmente existe? Sim, ele existe como um poder, ora submisso, ora rebelde ao Criador.

Baixe o livro completo aqui

Obrigado pela opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s