Pobre meritocracia


Se, quando somos ricos, temos tudo, qual o interesse em termos mérito e virtude?” (Denis Diderot)

Quem foi que disse que todos nascem iguais e com as mesmas oportunidades? Quem tenta incutir em nossa mente desde pequeno que se você trabalhar, um dia chegará “lá”? “Lá” aonde? A quem serve esse discurso da meritocracia, esse discurso de que se você se esforçar, você será bem sucedido? É claro que se você se esforçar de verdade, poderá até conquistar alguma coisa, como um bom emprego por exemplo. É algo raro, mas acontece! Mas será verdade que o garoto que é obrigado a trabalhar cedo pelos pais terá as mesmas oportunidades do garoto de mesma idade que presta um bom vestibular pago pelo pai? Será que a menina órfã, entregue a um orfanato terá o “mérito” de estudar medicina que a filha de um engenheiro teve? Como comparar o aprendizado de um aluno de uma escola pública no Brasil, com o aprendizado de um aluno de escola particular, escola essa que capacita e prepara esse aluno para cursar uma faculdade ?

É certo que o discurso da meritocracia nunca saiu da boca de uma classe menos favorecida. Só há esse discurso na boca de políticos demagogos, filhos que herdaram o capital de seus pais e jovens que não sabem o que é ter uma carteira de trabalho assinada e só conhecem o setor de diretoria da empresa de seu progenitor. O morador da favela sabe que se não acordar cedo, pegar um ônibus, enfrentar trânsito e se submeter a um trabalho injusto, ele não come. A preocupação dele é com a comida na mesa! E se um dia enriquecer, será por sorte no jogo de alguma loteria e raramente por mérito! Isso será um milagre na estatística dos homens! O filho de rico não se preocupa com comida, ele se preocupa é com o curso de inglês e com aquela viagem ao exterior, pois a mesada já está garantida. Todo mundo nasce igual mesmo? Sério que as oportunidades são as mesmas? O discurso de um governo do “mérito” só beneficia uma classe privilegiada, que nunca conheceu a pobreza e que nunca passou sufoco. Beneficia porque preso nesse discurso, o menos favorecido acredita que as oportunidades são iguais e não se revolta contra as injustiças. Esse discurso favorece uma classe abastada que não quer uma sociedade mais justa, pois se todos progredirem, quem serão os seus empregados? Quem lavará suas roupas, quem produzirá as suas riquezas, quem limpará o cocô de seus poodles? A justiça é um incômodo para essa classe que se acha “exclusiva” e odeia viajar de avião ao lado do porteiro do seu condomínio. Eu espero de coração que a sociedade chegue cada vez mais perto da justiça e que todos possam progredir sempre, sem cair na cilada desse discurso “meritocrático”.

Anderson Luiz

2 comentários em “Pobre meritocracia

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