Vida complexa


“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)

Não tente entender a vida, isso é um inferno! A vida não é explicável! Não se tem um manual de como viver e muito menos se lê a vida em uma bula. Esqueça essa história de “dez, onze, vinte passos para viver bem e ser feliz”. Nem sete ondas na virada do ano e nem pedido para a estrela cadente! Nada funciona com ela: a vida! Essa literatura que vende e promete “vida fácil” é um engodo! Engodo esse parecido com aqueles que um dia formularam, de que a vida segue uma tal “lei de causa e efeito”, que tudo se resume no “bem e no mal” e de que toda “conquista” humana é por “mérito”.

Deram o nome moderno de “lei da atração”, mas era a lei mais antiga e humana que a história já havia revelado. Subliminarmente, no “código de Hamurabi”, antigo rei de Babilônia, já era possível inferir sobre a “lei da atração”. Depois Moisés copiou essa ideia: “olho por olho, dente por dente”. “O que não queres que se acometa a ti, não o faças com os outros”. Essa “lei” foi chamada também de “lei de causa e efeito”. A vida é simples assim para ser resumida em “causas e efeitos”? Tudo tem um motivo? O resultado da vida de todos, é fruto de uma causa? Colhe-se sempre o que se planta? Nem sempre! Para isso dar certo, tivemos até que crer em uma “reencarnação”. Algo não se encaixava só nessa vida e foi preciso acreditar em várias. Tamanha é a complexidade da vida e ficamos tão estarrecidos sem entendê-la, que foi preciso multiplicá-la para que ela se encaixe em nossa “lógica de causa e efeito”. O que sofro nessa vida, é fruto do que pratiquei em outras?

Mais complexo ainda é entender a vida humana, que segundo alguns se resume em uma luta do “bem contra o mal”. Há quem acredite que existem “bandidos e heróis”! Há quem reduz a complexidade da vida numa falácia “política-americana” de luta contra um “eixo do mal”! É pura ilusão reduzir a vida a esse maniqueísmo. Esse maniqueísmo só cabe na cabeça de “justiceiros”, de extremistas políticos e de crentes. Se a vida fosse tão simplista como esses querem que seja… que maravilha seria… ou não. Nem “bandidos e nem heróis”, humanos que não entendem nenhum pouco da vida e que vivem buscando simplificações para entendê-la. Simples assim e deixemos a complexidade da vida pra lá!

Outra mentira inventada para explicar muitos aspectos da vida, aspectos de viés econômico, é aquela que diz que toda conquista é por questões de mérito. Não existe mérito quando já se nasce em “berço de ouro”! O nome disso é herança! Não existe mérito quando se nasce pobre e de uma hora para outra se fica um milionário! O nome disso é mega-sena! É claro que devemos levar em conta o esforço, a dedicação, as lutas para conquistar “algo na vida”(o que seria “algo na vida”?). Quando isso acontece, há mérito sim, sem sombra de dúvidas. O que não se pode é acreditar nessa demagogia política de que “todos nascem iguais” e concorrerão para “vencer” de igual para igual na vida, como reza a cartilha liberal. Esse tipo de discurso meritocrático só interessa aos abastados! Aos injustiçados (pobres), só interessa a justiça! A vida é mais complexa do que sonha nossa vã filosofia!

Anderson Luiz

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