Sobre o olhar


“Todo ponto de vista, é a vista de um ponto.” (Leonardo Boff)

Diz um dito popular que “os olhos são a janela do corpo” e outro diz que “os olhos são o espelho da alma”. Não sei se os olhos dizem alguma coisa, mas o olhar que temos em relação ao mundo diz muita coisa. Nosso olhar em relação ao mundo revela o nosso “mundo interior”, mas também revela nossas experiências captadas pelos sentidos. O olhar revela o que se aprende de fora, mas também traz a luz ou as trevas que estão dentro. Nossa cultura, o lado em que nascemos (Ocidente ou Oriente), nossa família e educação, nossas crenças e religiões, nossa condição social e etc, são capazes de transformar o nosso olhar. Haverá sempre um “ângulo” diferente para observar o mesmo “objeto”, mas a descrição desse “objeto” será multiforme. Dificilmente um rico terá a mesma visão do mundo daquela descrita por um injustiçado (pobre). Parafraseando Rousseau, “a sociedade é capaz de corromper o indivíduo”. O ambiente externo influencia sem sombra de dúvidas nas opiniões e conceitos do ser sobre o mundo. Quando dizemos “mundo”, tentamos expressar essa abstração com outra: o mundo em seus aspectos políticos, culturais, financeiros e sociais.

Diferente de uma visão behaviorista que diz ser o homem uma “tábula rasa” (John Locke), ou seja, um papel em branco que captura todas as impressões e experiências de fora, é o meu olhar em relação ao mundo. Admito sim certas influências exteriores, mas acredito que há algo dentro do homem, um potencial para a plenitude e não um vazio (papel em branco) como quer os empíricos. Mas essa é apenas uma visão particular no meio de centenas, e não arrogo que seja a verdade. Pode ser a minha verdade! Talvez essa “visão do mundo” se formou no meu ambiente familiar, talvez ainda no colégio católico em que estudei boa parte da minha vida, ou talvez venha das religiões que frequentei. Bom, não sei! Só sei que acredito que o homem nasce com um potencial imenso. Na filosofia há uma discussão sobre a “potência”. Em uma explicação rudimentar de minha parte, uso o exemplo de uma semente. Uma semente não é uma árvore na sua plenitude, é parte dela e tem o potencial de se tornar uma. Acredito que o ser humano tem o potencial da plenitude e essa “semente da plenitude” pode crescer cada vez mais ou pode morrer como a semente que cai em solo rochoso. O olhar humano sempre é afetado pela plenitude da vida que cresce por dentro ou pelo abismo e vazio que a morte gera nas entranhas. Na plenitude da vida toda ideologia humana é meio para dar vazão ao potencial que temos! No vazio existencial tudo o que era para ser meio vira fim e pode terminar em mortes, fanatismos, intrigas e ódios. Sofremos pressão de “fora” e de “dentro”! Será que somos livres para nos esquivarmos? Acredito que sim! E acredito que de “dentro” pode vir uma força capaz de cortar todos os laços deterministas de “fora” ou pode ajudar ainda mais a dar “nós-de-marinheiro-existenciais” que nos prendem ao “meio” em que vivemos. Esse é o meu olhar! Qual é o seu?

Anderson Luiz

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