Ser infantilizado


O homem é definido como um ser que evolui, como o animal é imaturo por excelência.” (Friedrich Nietzsche)

A fase infantil do ser humano é um grande mistério! Geralmente não lembramos boa parte de nossa infância e não temos ideia das impressões que tínhamos nesse período da vida. Convivendo com traumas e alegrias, as crianças em sua pureza e inocência não tem ideia da complexidade do mundo dos adultos. Oxalá nunca tivéssemos essa ideia e vivêssemos essa infância para sempre! Mas a realidade é dura quando nos damos conta de que crescemos e passamos a carregar o peso do conhecimento do mundo dos homens. E a mentalidade humana deve acompanhar o crescimento e a evolução física. Faz parte de nossa natureza! E é bom que seja assim! A questão é que existe um interesse profundo em manter a massa em uma idade mental infantil. Quanto menos pessoas conhecendo a profundidade e complexidade do mundo dos “adultos”, maior a manipulação, o engano e a alienação que favorece os que se julgam “maduros” e “conscientes”.

A infantilização política favorece os profissionais de votos. Esses políticos profissionais sabem que o povo ignora a complexidade dos “jogos de poder” e por essa ignorância eles se elegem, se articulam e se perpetuam. O político profissional sabe que uma boa apresentação visual, uma boa oratória e o uso de “palavras mágicas” na ordem do discurso, seduzem o infantilizado politicamente. E como crianças, os infantis políticos não entendem e não querem entender o funcionamento dos intestinos do poder, e nesse sentido é fácil sugestionar e estimular sentimentos e aversões em suas mentalidades infantis.

A infantilização tecnológica se dá no consumismo exacerbado e na ânsia infantil de se abismar com os cada vez mais novos “brinquedos” tecnológicos. Tem adulto agindo como criança diante de Smartphones, Tablets e outros “penduricalhos” que nos deixam “bobos”. Não estou a dizer que a tecnologia aliena e nem que a tecnologia é o problema. O problema é nossa mente pequena! Nossa mente que se perde em pequenas coisas e nosso tempo que é gasto na improdutividade. Viver preso em um mundo de fantasias não é para adultos e sim para crianças. E quem ganha com isso? Ganha quem deseja que menos pessoas estejam pensando e o maior número delas estejam distraídas e domesticadas pelas tecnologias. Enquanto a maioria dorme, uma minoria se encontra de olhos bem abertos.

A infantilização cultural acaba por encarcerar muitos adultos fisicamente no “fantástico mundo de Bob”. Fracas em exercer o juízo das coisas (o que é extremamente natural), as crianças se deixam levar pelas emoções e não pela razão. Assim também acontece com o culturalmente infantil! Novelas, filmes, notícias jornalísticas e principalmente os programas sensacionalistas de domingo, não passam pelo crivo da razão deles e com isso não são capazes de exercer o juízo, o discernimento e ficam como que escravos de suas emoções. Em tudo creem! Nos “profissionais da fé”, nos exageros dos vendedores, no “catastrofismo” dos jornalistas, nas notícias sem fonte e fundamento do Facebook e do WhatsApp, na demagogia dos políticos e na irrealidade das novelas. Acreditam em tudo que se fala e se fazem reféns de enganadores. Se submetem a escravidão dos “adultos”, enquanto não percebem que precisam crescer, evoluir e se libertar do apego e da dependência das crianças.

Anderson Luiz

Obrigado pela opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s