Mundo conceitual


“Oh, qual insuficiente é a palavra e quão ineficaz/ao meu conceito!” (Dante Alighieri)

Vivemos em um mundo repleto e dominado por conceitos! Aliás, o termo “mundo” é um conceito e cada ser possui a definição do que isso significa. Segundo as definições dos dicionários, o conceito seria o pensamento e a ideia que alguém tenha de uma palavra. O “espírito” das coisas? Platão sugeriu um “mundo das ideias”, onde tudo se iniciava… o princípio de tudo. Esse “mundo das ideias” abstratas foi interpretado pelo filósofo alemão Hegel como o “Espírito”, a essência de tudo que se materializa e toma forma nas coisas. Marx inverte essa lógica e diz que o “mundo material” é que produz os pensamentos, as ideias. Deixando de lado essa controvérsia entre filósofos, não podemos negar o domínio dos conceitos em nossa realidade cotidiana.

Nem nos damos conta o quanto somos dominados por conceitos, abstrações e ideias. Nossos “deuses” tentam ser muito mais concretos do que imaginamos e eles nos dominam com mãos de ferro. O “deus mercado” é implacável! Todos morrem de medo dele! A “Economia” é um conceito que a todos domina e a todos manipula! O “Estado”, essa figura abstrata, imaterial e sem concretude aparente nos governa a todos. A “Religião”, essa ideia humana que promete unir o homem ao divino é só uma pura ilusão! A “Política”, esse emaranhado de ideologias do poder, aparente organização que parece regular a todos nós, não existe de fato. Ninguém pode atestar a existência da “Política”, pode? O que existem são conceitos e somos dominados sempre por eles! Economia, Mercado, Religião, Estado, Natureza, Política, são deuses e deusas da pós-modernidade que subjugam a todos nós humanos. As ideias, geralmente as ideias dos mais “fortes”, dos que tem mais (ricos) e que podem fazer prevalecer a sua versão da História, são as ideias dominantes que se transformam em conceitos, como bem definiu Karl Marx? Ou será que o “Espírito” é que dá forma a realidade e se materializa nela?

Há um perigo muito grande na interpretação e no engessamento dos conceitos! Determinados conceitos generalizam, marcam a ferro e negam a individualidade e a heterogeneidade humana. Um “partido político” não é, nunca foi e nunca será corrupto! O único que pode ser corrupto é o ser humano, que é concreto e não abstrato! O conceito de “índio”, de “judeu” e de “muçulmano”, são exemplos de como o perigo da generalização dos conceitos pode destruir as individualidades. Existem diversas tribos indígenas, com costumes, línguas e culturas extremamente diferentes umas das outras, e o mesmo vale para judeus e muçulmanos. Mas pelos conceitos, insistimos em marcar a ferro e fogo, todos eles com as mesmas ideias e pré-conceitos. No mesmo sentido, quando falamos da “massa”, do “povo” ou da “plebe”, engessamos pessoas com diferentes pensamentos, empregos, estudo e diferentes modos de vida enquanto simplificamos tudo isso em uma única questão que lhes seja comum: a situação econômica. O que se ganha em suprimir a individualidade de milhares? É mais fácil modelar uma “massa” com as mãos ou fazer isso com os grãos da areia? Que os conceitos não nos dominem, pelo menos no lugar em que eles nunca deveriam dominar em nós: na nossa mente.

Anderson Luiz

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