Sobre o valor


A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida. (Fernando Pessoa)

O valor é relativo! Sempre relativo e nunca absoluto! Que medida, largura, importância, hora trabalhada e esforço feito pode estipular um valor justo? O valor é uma construção humana! Inúmeros são os fatores que nos levam a estipular um valor. Valorizamos muitas coisas na vida e essa valorização das coisas está em sintonia com a multifacetada experiência de vida humana. Para alguns, valorizar dinheiro e quem o tem são aspectos primordiais da vida. Para outros, os valores são abstratos! Basta uma boa amizade, o amor familiar e a conservação de princípios tidos como “valorosos”. O valor se relativiza na mesma medida que a experiência humana se relativiza. Cada um com seu valor! Cada um com suas prioridades! Bens materiais, experiências sexuais, liberdade, carinho, amizades, dinheiro, poder, cada qual valoriza mais o que quer valorizar. Tem gente até que não valoriza nada nessa vida e não sabe o valor que tem! Outros se supervalorizam demais, pensam de si mais do que devem pensar e pagam caro para viver mediante seus valores. Uns creem não valer nada, outros estão dispostos a colocar seu valor a venda. Como medir? Como precificar? Relativo, tudo relativo! De que vale ser bem sucedido, ter bens materiais, fazer sucesso, ganhar muito dinheiro, morar bem e viver uma vida solitária e triste? Valorizar riquezas somente, basta? Por que importa mais ganhar o mundo enquanto se perde a alma? Abandonar princípios, esquecer amigos, se fechar sentimentalmente e cultivar a frieza que a valorização de um mundo competitivo traz, é a desintegração do Ser e a morte da alma. Quais valores realmente importam? Os do coração ou os que os olhos veem? Na vida há valores impagáveis: boas risadas com bons amigos, conversas profundas com gente interessante e inteligente, família unida de verdade, o vigor da juventude, a primeira paquera e muitos outros. Não estou a dizer que tudo o que foi citado não tenha o seu valor relativo, mas devíamos refletir no que realmente importa. Devíamos refletir no que realmente deveria ser nossa prioridade, o “valor principal”. Sem dúvida essa reflexão nos revelaria que o que valorizamos demais na vida, talvez nem deva receber tanto valor assim e certamente o que desvalorizamos em nossas experiências é o que realmente importa para se viver em plenitude.

 Anderson Luiz

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