O desafio humano


“A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam”. (Frei Beto)

Nascemos sob a crença de uma “maldição” determinista! O determinismo é a crença de que tudo já está determinado e estabelecido, e a liberdade não passa de uma ilusão. Com toda a certeza existem leis universais que determinam situações que não podemos escolher e nem mudar. Não escolhemos a nação que nascemos, nem a família que nos acolheu e nem mesmo escolhemos se queremos nascer ou não. Herdamos biologicamente a probabilidade de doenças dos nossos antepassados e culturalmente todas as crenças e padrões de nossos pais. Somos determinados desde pequeno a assimilar a cultura de um país entre centenas no mundo, de uma cidade, de uma família e de uma classe social a qual influenciou boa parte da nossa vida.

Nossa “formação”, e aqui não falo de educação escolar, tende a ser uma formação determinada pelo “lugar onde nossos pés estão”. Nossas opiniões, nossa cosmovisão e nossa maneira de se relacionar no mundo e com o mundo, tende a ser o reflexo dessa “formação”. E daí surge um grande desafio! Como superar isso? Esse é o maior desafio humano! Se libertar dos condicionamentos, dos preconceitos (todo preconceito é fruto de uma má formação), das amarras culturais (já que as biológicas são impossíveis de serem desamarradas), dos determinismos que nos prende ao “círculo vicioso” do pensamento de tribo. O desafio é pensar “fora da caixa”! O desafio é transformar o “círculo vicioso” em “círculo virtuoso”! O desafio é poder superar a “formação” (sair da forma) inicial pensando diferente, olhando diferente e em um caminho diferente daquele destinado a nós. O que leva alguém a abandonar pra sempre a religião dos pais? O que leva alguém aderir às lutas da classe da qual nunca fez parte? O que leva alguém a abandonar preconceitos?

Informação, conhecimento, experiência adquirida na caminhada da vida, provações, sofrimentos e dores, discernimentos, esclarecimentos, inspirações momentâneas, tudo isso faz parte do processo de libertação humana. E é um processo justamente por que essa libertação ainda não é plena, ela se desenvolve. Quem pode se dizer livre totalmente dos condicionamentos e determinismos? Esse é o grande desafio humano! Crescer não só fisicamente, mas intelectualmente para poder se libertar de estigmas, fugindo dos determinismos de raça, de credo, de nação, de cultura do lugar, de classe social e de tantos outros “destinos a que estamos fadados”. Não que toda “formação” humana seja um mal em si, mas o fato de pensar além da “formação” e começar a olhar o mundo de uma maneira diferente, já é uma prova de que o determinismo não é forte o suficiente para nos “amaldiçoar” e nos “amarrar” para sempre.

Anderson Luiz

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