A razão que cega


“É com o coração que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos.” (Antoine de Saint Exupéry)

Desde a revolução francesa e seu culto a razão, o mundo tem reservado às dimensões humanas da intuição, do sentimento e dos sentidos, um espaço pequeno, além de definir elas como uma espécie de categoria menos importante dentro de uma suposta hierarquia. Nessa hierarquia, a razão deve dominar e o resto deve ser secundário. “O essencial é invisível aos olhos” e a razão está acostumada a ver como a ciência vê: sempre objetivamente. Provas, dados, experimentação, o que se pode tocar, manipular e modelar é o que existe de fato. Será?  A ontologia das coisas, sua essência, seu espírito, o significado por trás de cada objeto e de cada sujeito, tudo isso é muito “subjetivo” para a razão. É aí que a razão se perde! E justamente aí sua cegueira!

Entender que não há uma hierarquia que possa categorizar as dimensões humanas tem se tornado cada vez mais importante hoje em dia. Somos racionais, emocionais, intuitivos, sensíveis e não há nenhuma fraqueza nisso! A razão tem sua importância no mesmo sentido da importância que se tem aquele sentimento de enxergar que “o essencial é invisível aos olhos”. Quem pode enxergar que a semente é potencialmente uma linda, frondosa e exuberante árvore? Quem pode enxergar que o crescimento das plantas se dá invisivelmente pelas seivas que correm por dentro do caule em silêncio? Quem “vê” os elementos químicos essenciais para a preservação da nossa vida e do ecossistema? “O essencial é invisível aos olhos” e há sentimentos e intuições que são capazes de enxergar a potencialidade humana em uma simples criança. A razão nem sempre enxerga! “A razão só enxerga o ”aqui e agora”, o que está congelado no espaço-tempo da nossa mente que discrimina e fotografa somente o presente. Na essência das coisas o tempo é relativo! Por isso é mais fácil enxergar o que geralmente é difícil enxergar. Assim se dá quando nos abrimos para novas possibilidades e novos olhares e dimensões. Devemos estar abertos a realidades diferentes das que estamos entender como as únicas “realidades”: as que se veem com os olhos da razão. “O essencial é invisível aos olhos” e essa pode ser uma verdade que podemos estar negando em toda uma vida e que faz toda a diferença.

Anderson Luiz

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