Paliativo


“Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança.” (Willian Shakespeare)

Toda felicidade que se busca no mundo e se encontra é sempre um paliativo! Mas o que é um paliativo? Paliativo é tudo aquilo que tem o poder de abrandar um mal temporariamente. O paliativo é necessário, sem ele a vida seria uma desgraça! Aquele remédio que não corta o mal pela raiz, mas alivia a dor é um paliativo necessário e muito bem vindo nesse momento de sofrimento. Na vida humana, nossas dores, angústias, nossas ansiedades e expectativas são sempre curadas com algum tipo de paliativo. O carro do ano, a namorada nova, a troca de setor no trabalho, o dia do casamento, o corte radical no cabelo, o filho que chega, a mudança de cidade, tudo se torna remédio pra abrandar a dor da existência. É só parar de frente a um espelho por alguns minutos e fazer a pergunta certa a si mesmo que logo o engano se revela e a ilusão se desfaz.

Na viagem que se faz a procura da felicidade o final é sempre frustrante. É como beber água, mas nunca saciar a sede. Hoje estamos satisfeitos com o pão e amanhã voltamos a ter fome, e isso é um fardo que nós humanos temos que carregar. Toda nossa força, vigor e vontade de viver são sustentadas por paliativos. De dosagem em dosagem vamos sobrevivendo. Precisamos desses remédios a conta-gotas, pois como disse anteriormente, sem eles a vida seria uma desgraça. A questão que se tem que tomar o cuidado tem relação com a crença de que o paliativo é a cura. Não, não é! Ele é alívio momentâneo e não cura completa para as aflições humanas. Crer assim livra da frustração! Continuaremos sempre a beber e voltaremos a ter sede, mesmo que na vida você tenha realizado o sonho da sua infância.

Se a felicidade que se busca no mundo é paliativa e por extensão, momentânea, o mundo é dor? Existe uma cura, uma fonte da qual brota a água que precisamos para nunca voltarmos a ter sede? Há pão que mata pra sempre a fome que temos de vida, de verdadeira vida? Há algo maior e sobremodo maravilhoso do que uma casa nova, uma família perfeita, um bom sexo, uma boa grana ou a depender da necessidade humana, uma comida bem saborosa? A verdade é que nada satisfaz, nada faz cessar nossas angústias, tudo que resta é se refestelar em paliativos. Mas e se existir o “elixir da longa vida” que os alquimistas sempre buscaram?

Anderson Luiz

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