O cliente tem sempre razão


Todos vós, que amais o trabalho desenfreado (…), o vosso labor é maldição e desejo de esquecerdes quem sois. (Friedrich Nietzsche)

Ontem morreu mais um motoboy na cidade de São Paulo! Neto de uma conhecida, o garoto trabalhava em uma pizzaria que buscava “satisfazer” o cliente da melhor maneira possível: pizza entregue dentro do prazo de 30 minutos após o pedido. Se a entrega atrasasse, o cliente não pagava e ficava “satisfeito”. E nessa correria, um jovem de 18 anos foi vítima da pressa, da correria das grandes cidades, da concorrência desleal e da fome de lucro… não de pizza.

O garoto não tinha carteira assinada! Nem conhecia o sindicato de sua categoria! Sua família não vai receber nenhuma assistência do Estado e talvez nem do patrão que poderá alegar “imprudência” do garoto e não acidente de trabalho. A morte nos faz refletir! Muitas perguntas ficam soltas. O capitalismo está dando certo mesmo? Será que entendemos de fato o que é “dar o sangue no trabalho”? Qual o preço de uma pizza que chega rápida, quentinha e salpicada de sangue? O cliente tem sempre razão?

Sou cliente e nessa história triste, fiquei tentando imaginar o que nem se imagina com cabeça de cliente de uma pizzaria de entrega rápida. A gente só pensa em matar nossa fome! Imagina os clientes que estavam esperando há horas aquela pizza banhada de sangue? Quantos xingamentos aquele menino recebeu depois de morto? E da parte da pizzaria, quanta reclamação e raiva do entregador que estava demorando e não cumpria seu trabalho? Será que hoje a pizzaria estará de luto ou o trabalho será normal? Afinal, tem sempre alguém com fome de pizza que não tá nem aí para o processo de trabalho antes de sua entrega… É se “satisfazer” e pronto! Como clientes, pensamos na saída do processo (output), não na entrada (input) e nem no processo em si (o que se desenrola desde o pedido até a chegada da pizza). Na maioria das vezes saboreamos nossa pizza sem saber que o preço dela é muito mais caro do que imaginamos. Preço de sangue! Preço que não leva em conta riscos de morte! Sacrifícios diários de motoboys que precisam sobreviver. Aliás, alguns sobrevivendo… e outros se sacrificando para “satisfazer” o cliente, que no capitalismo moderno, “tem sempre razão”.

Anderson Luiz

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